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A música conecta

M0XX transforma suas “vidas paralelas” em techno melódico no álbum de estreia, Parallel Lives

Por Marllon Eduardo Gauche em Notícias 15.09.2026

Antes de assumir o nome M0XX, Andreas Moxnes já tinha uma relação profissional com a música: compôs para teatro e dança, integrou bandas e excursionou pela Europa antes de se afastar desse caminho para construir uma carreira como pesquisador e professor em Oslo. Anos depois, o retorno à produção acabou dando origem a uma segunda vida criativa e, pouco mais de um ano após o início do projeto, ganha sua forma mais completa em Parallel Lives, álbum de estreia que funciona também como ponto de partida para a fase ao vivo do artista.

O título parte dessa convivência entre universos diferentes, mas não se limita ao contraste entre academia e música. O disco foi desenvolvido durante um período em que relações, desejos, lealdades e diferentes possibilidades de futuro pareciam existir simultaneamente, transformando a ideia de “vidas paralelas” em algo também emocional. Amor, perda, culpa, desejo, controle e a necessidade de fazer escolhas atravessam o disco de diferentes maneiras. Faixas como Coming Home, Ashes, I Am Control, Ctrl-Alt-Delete e Demon in Me foram nascendo a partir dos sentimentos e momentos dessa fase.

Para falar do próprio som, M0XX usa o termo “neon techno”, uma descrição que faz sentido ao longo do disco. A estrutura costuma partir de beats e linhas de baixo mais escuras e contundentes, enquanto synths brilhantes, melodias melancólicas e camadas de caráter cinematográfico abrem espaço dentro dessa densidade. Há momentos mais claramente voltados à pista e outros mais introspectivos. Essa alternância ajuda, inclusive, a dar dinâmica ao álbum, que mantém uma sonoridade reconhecível mesmo quando muda de intensidade.

Com referências que passam por Underworld, Orbital, Speedy J, Vitalic, Guy J, Cirez D, GusGus e Röyksopp, além de uma relação importante com o jazz e a música nórdica, M0XX usa Parallel Lives para apresentar de uma vez tanto sua linguagem musical quanto o imaginário visual e conceitual do projeto. Esse primeiro capítulo agora começa a sair do estúdio: ainda neste mês de setembro, o artista inicia suas apresentações ao vivo na Europa, levando para o palco uma obra que nasceu da tentativa de aproximar partes de uma vida que, durante muito tempo, seguiram caminhos separados.

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