Uma versão oficial, tocada e cultuada — mas que nunca ganhou um lançamento oficial de verdade.
Em 2006, a Mute reuniu uma série de remixes de Depeche Mode para acompanhar The Best of Depeche Mode, Volume 1. Entre versões assinadas por Boys Noize, Digitalism, Underground Resistance, Oliver Huntemann & Stephan Bodzin e Timo Maas, havia um encontro especialmente improvável para a época: Ricardo Villalobos reinterpretando The Sinner in Me, faixa lançada originalmente no álbum Playing the Angel. A versão ganhou o nome Conclave Remix e se estendia por quase 13 minutos.
O encontro chamava atenção justamente porque colocava frente a frente dois universos que, em 2006, ainda pareciam muito mais distantes do que hoje. De um lado, uma das maiores bandas eletrônicas do mundo; do outro, Villalobos no auge de sua linguagem minimal, longa e pouco interessada em estruturas convencionais.
O remix preservava a voz de Dave Gahan de maneira surpreendentemente reconhecível, enquanto construía ao redor dela uma base seca, elástica e percussiva, marcada inclusive por um padrão de clave pouco usual dentro do repertório de Depeche Mode. Anos depois, o Pitchfork destacaria justamente essa combinação como um exemplo do caráter pouco intuitivo de Villalobos como remixer.
Tecnicamente, dizer que a faixa “nunca foi lançada” pode ser um tanto quanto controverso. A Mute incluiu o remix no CD promocional PLCDBONG39, que circulou em 2006, mas não chegou às lojas. Também existiram cópias promocionais em vinil entre DJs e colecionadores. Ou seja: o remix era oficial e estava em circulação, mas nunca recebeu um lançamento comercial convencional.
Essa condição intermediária ajudou a transformar o Conclave Remix em objeto de culto. Em 2007, Oliver Huntemann afirmou em entrevista ao site HOME, que vinha lendo bastante sobre o remix de Villalobos em outras publicações, sinal de que a faixa já tinha construído reputação própria mesmo sem distribuição comercial convencional.
A história ficou ainda mais curiosa com o passar dos anos. Quando Depeche Mode lançou a ampla coletânea Remixes 2: 81–11, em 2011, o Conclave Remix novamente ficou de fora da seleção comercial. Assim, uma das releituras mais singulares já feitas para a banda permaneceu na condição que ajudou a construir sua reputação: oficial o suficiente para existir, rara o suficiente para parecer proibida.