Em 2025, ao completar uma década de trajetória sob o pseudônimo Elderbrook, Alexander Kotz passou a reavaliar o ritmo de sua carreira. Durante muito tempo, a rotina acelerada e a comparação constante com colegas que apareciam como headliners de festivais nas redes sociais alimentaram a sensação de que precisava aceitar todas as oportunidades para continuar avançando. O músico percebeu, porém, que as metas pareciam nunca ser suficientes: alcançar cem milhões de reproduções poderia trazer satisfação por algum tempo, mas logo surgiria o desejo de chegar a um bilhão. A busca pelo próximo resultado havia se tornado um ciclo difícil de interromper.
Essa mudança de perspectiva ganhou força com um conselho recebido do Rudimental, grupo britânico com quem Elderbrook colaborou: aprenda a dizer não. Para um artista acostumado a receber convites para remixes, participações e novos projetos, recusar oportunidades parecia contrariar a lógica de crescimento da própria carreira. Aos poucos, Kotz entendeu que aceitar todos os trabalhos também significava abrir mão de tempo, energia e liberdade para desenvolver suas próprias ideias. Estabelecer limites passou a fazer parte de sua maneira de trabalhar.
A pandemia trouxe uma oportunidade inesperada de colocar essa postura em prática. Com as viagens suspensas, Elderbrook passou seis meses consecutivos em casa, nos arredores de Londres, algo incomum para quem vivia entre apresentações e compromissos profissionais. Nesse período, ele e sua parceira descobriram que esperavam a primeira filha. Em uma cabana no fundo do jardim, o produtor estabeleceu uma rotina que começava às 9h da manhã e passou a tratar o estúdio como um espaço de trabalho com horários definidos. A experiência também mudou sua relação com a inspiração: em vez de esperar pelas condições ideais para criar, descobriu que a disciplina de sentar e experimentar diariamente podia ser igualmente produtiva.
A chegada da paternidade, no final de 2020, também encontrou espaço em suas composições. Se antes boa parte de suas letras partia de conflitos e experiências pessoais, Elderbrook começou a escrever pensando no que gostaria de transmitir aos filhos. Essa perspectiva aparece em Domino, do EP Innerlight, e atravessa o álbum Little Love, lançado em 2023, no qual a experiência familiar ocupa um lugar importante. Em Howl, parceria com Tourist, a relação com as crianças também aparece como parte da inspiração. A mudança não significou abandonar os temas que sempre explorou, mas encontrar outros destinatários para sentimentos que antes eram tratados sobretudo a partir de sua própria experiência.
Dez anos após seus primeiros lançamentos, Elderbrook continua produzindo, colaborando e viajando pelo mundo, mas passou a estabelecer outros critérios para decidir onde investir seu tempo. A disciplina no estúdio, a vida familiar e a disposição para recusar determinados trabalhos ajudaram a construir uma rotina em que o sucesso profissional já não precisa ser medido exclusivamente pelo próximo grande resultado. Para alguém que passou anos acompanhando números de reproduções e posições nos festivais, aprender a escolher suas oportunidades tornou-se uma conquista tão importante quanto recebê-las.
Essa trajetória ganha um novo capítulo no Brasil neste fim de semana. Elderbrook tem apresentações programadas nesta sexta-feira (9), no Rio de Janeiro, pela BOMA, e no sábado (10), no Greenvalley, em Camboriú. O destaque fica para domingo (11), quando estreia no Ame Club, em Valinhos (SP), como atração principal da quinta edição da Âme Mélodique. O evento começa às 17h e também reúne Nils Hoffmann, Giuseppe Ottaviani, Scorz, Silvio Soul e Rigooni, entre outros nomes. A passagem pelo país acontece em formato DJ set, outra oportunidade de acompanhar um artista que, depois de tantos anos de carreira, continua encontrando novas maneiras de se relacionar com a própria música.