Em 1997, quando Gustavo Peluzo começou a tocar nas matinês de Belo Horizonte, dificilmente imaginava que, quase três décadas depois, estaria vendo suas próprias músicas sendo tocadas por artistas como Solomun, Michael Bibi, Carl Craig e Moodymann. Muita coisa aconteceu nesse intervalo. Foram anos de residência em clubs importantes, festas que ajudou a criar, turnês internacionais e incontáveis horas de cabine. Hoje, aos 45 anos, o artista conhecido como White Sheep vive uma fase de crescimento como produtor e parece ter encontrado um novo momento para uma carreira que já atravessou diferentes gerações da música eletrônica brasileira.
Uma parte importante dessa formação aconteceu nas residências que manteve ao longo dos anos. Foram quatro anos no Club A Lôca, em São Paulo, e outros treze no Deputamadre, em Belo Horizonte, onde teve a oportunidade de acompanhar de perto as mudanças da cena. Fora das cabines, também participou da criação de projetos como Smile, que chega aos 18 anos de história, Neverends e Lenha, festa que durante quatro anos teve papel importante na cena techno da capital mineira. White Sheep conhece bem os dois lados da noite, desde a escolha das músicas para construir um bom set até todo o trabalho necessário para fazer uma festa acontecer.
Hoje, com o tech house e o techno como principais referências, White Sheep gosta de trabalhar com linhas de baixo potentes, bastante groove e sets que se desenvolvem gradativamente. Seus long sets de oito horas, misturando vinil e digital, são uma característica importante de sua identidade como DJ, influenciada também por artistas como Joris Voorn, Maceo Plex e Sven Väth. O próprio vinil, presente desde os primeiros anos de carreira, voltou a ganhar espaço em suas apresentações.
Nos últimos anos, porém, foi dentro do estúdio que sua carreira começou a ganhar mais força. Com lançamentos por gravadoras como Nervous e SCI+TEC (Dubfire), White Sheep passou a ver suas produções recebendo diferentes suportes. Move, lançada pela SCI+TEC, recebeu suporte de Dubfire e Deep Dish, enquanto , pela Critério, chegou a nomes como Adam Beyer, Mau P, Alok e The Chainsmokers.
Um dos maiores destaques desse período é Wonky, seu terceiro lançamento pela Nervous, que alcançou suportes de Solomun, Michael Bibi, Vintage Culture, CamelPhat, Mau P, Pan-Pot e diversos outros artistas. Para White Sheep, que passou tantos anos acompanhando e estudando o trabalho de outros produtores, ver suas próprias faixas chegando a artistas desse porte tem um significado especial. É também um reconhecimento que começa a abrir novas possibilidades para seu trabalho autoral.
Aos poucos, com novas produções em andamento, incluindo Boom, seu quarto trabalho anunciado pela Nervous, e colaborações com DVBBS, Waltervelt, Curol, Malu e Rod Brito, o reconhecimento conquistado no estúdio passa a ter uma importância tão grande quanto toda a experiência acumulada nas cabines. E apesar de toda essa história, White Sheep faz questão de não ser associado apenas ao passado. “Minha história me dá repertório e personalidade, não me prende ao passado”. Perto de completar 30 anos de carreira, Gustavo tem muito a contar sobre o que viveu, mas também está ocupado produzindo e buscando novos espaços para seu trabalho.