Fã de futebol e boa música, Antal já mora no coração dos brasileiros

Fã de futebol e apaixonado por diversos movimentos musicais fora do eixo. Esse é Antal, um das cabeças da Rush Hour, gravadora e loja de discos icônica de Amsterdam – ponto de visita obrigatório para os entusiastas musicais de passagem pela cidade. Com ele, aquela história de se limitar a um estilo passa bem longe e a real essência do DJing pode ser sentida a cada novo set.

Seu gosto refinado o conduziu à uma jornada de experiências em diferentes pistas do mundo inteiro. Mas de fato, foi sua grande paixão pela música que o levou a abrir a RH e a seguir trabalhando com isso há mais de duas décadas. Durante a infância e adolescência, ele quase despontou para o futebol, mas sorte a nossa é que sua vocação para discotecagem falou mais alto e hoje Antal é o que podemos chamar verdadeiramente de um cara preparado para encarar qualquer pista.

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Apesar de não ter virado profissão o esporte deixou um legado interessante em seu perfil artístico: a paixão pelo Brasil. O futebol foi a porta de entrada para que Antal se interessasse por outros traços da cultura brasileira e, mais tarde, viesse a se tornar um dos embaixadores do estilo no velho continente. Seu arsenal de brasilidades é poderoso e ele não esconde de ninguém o interesse pelos ritmos do país.

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Nessa entrevista exclusiva, Antal Heitalger fala sobre a Rush Hour, estilo de discotecagem, cena em Amsterdam e muito mais. Vale lembrar que esse fim de semana ele toca no Rio de Janeiro em festa da Selvagem na sexta e nos 5 anos da Gop Tun em São Paulo no sábado. Imperdível:

1 – Olá, Antal! Obrigado por falar com a gente. Há diferentes níveis de paixão pela música, mas certamente é necessário algo muito acima da média para criar sua própria loja de discos e cuidar desse negócio com tanto carinho. Em qual momento você decidiu que seria isso que você levaria como trabalho para o resto da vida?

Para ser sincero, até hoje não decidi se eu farei isso pelo resto da minha vida, mas com certeza está caminhando para ser assim. Com aproximadamente 16/17 anos fiquei muito interessado em discos e fascinado principalmente pelas lojas de discos de Londres. Depois de minhas visitas a cidade, comecei a fantasiar sobre como administrar minha própria loja, também porque eu só queria ficar com os discos por mais tempo. Não basta entrar na loja, comprar alguns e depois ir para casa. Eu sempre senti como se estivesse perdendo coisas. Então, por volta dos 19/20, fizemos o movimento e abrimos a loja Rush Hour.

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2 – A Rush Hour se tornou uma espécie de ponto turístico de Amsterdam, especialmente para os fãs de música em geral. Fale um pouco sobre a trajetória da loja, desde sua concepção, passando pela consolidação, até os planos para o futuro.

Há muita documentação sobre isso online, é o melhor para se referir a isso. Por exemplo, use este:

3 – Como exatamente começou seu interesse pela música brasileira? Quando foi a primeira vez que você veio oa Brasil para comprar discos? Quais são seus artistas preferidos dentro do estilo?

Posso dizer que sempre fui mais aberto a diferentes tipos de música. Meu amor pela música e coisas brasileiras provavelmente veio por causa do meu fascínio pela seleção brasileira de futebol. Quando criança, eu estava sempre atento aos jogos e assistia todas as copas do mundo e coisas do tipo. Procurando por toda essa informação, o Brasil teve um lugar especial no meu coração porque eu gostava muito dos jogos e com as entrevistas eu via takes do Rio e do Brasil, etc. A música também veio dessa maneira e mais velho, comecei a pesquisar. Adoro artistas mais conhecidos como Elis Regina, Jorge Ben, Milton Nascimento, etc., mas gosto de muitos outros também. Nomes mais obscuros também. Posso dizer que tenho um grande amor pela música brasileira em geral. A minha primeira vez ao país foi há uns 12-15 anos. Eu não conhecia muito e me perdi completamente nas lojas de discos de Copacabana. Trouxe muitos vinis e aproveitei a energia geral do país. Também fui ao Rio e Salvador na minha primeira viagem. No ano seguinte, voltamos com um grande grupo de amigos, inclusive San Proper e Tom Trago para vivenciarem o Carnaval no Rio, foi uma experiência maravilhosa dançar sob os arcos da Lapa – lindo apenas. Na minha primeira viagem, me lembro também de caminhar até Santa Tereza, quando uma escola de samba desceu treinando para o carnaval – eu acho. Essa foi a primeira vez que ouvi um grande grupo tocar batucadas, meus olhos estavam cheios de lágrimas e tive arrepios por todo o corpo. Naquele momento, tive certeza que era brasileiro na minha vida anterior.

4 – Percebo que você é um cara que não se permite ficar apenas em um estilo musical enquanto está discotecando, certo? Como você faz para flutuar entre diferentes gêneros e ainda assim se manter coerente e com uma identidade musical definida?

Acho que isso veio ao longo dos anos. Também porque como DJ você vai começar a parecer o mesmo se você for, por exemplo, um DJ que toca disco, ou techno ou deep house. Eu não vejo música assim. Para mim não há razão para me limitar, se eu gosto de uma melodia, eu gosto de uma melodia, independente se é uma faixa downtempo ou uma faixa rápida em 150 bpm. Vou pensar depois como eu posso combinar e mixar músicas, ou se as pessoas conseguem dançar ou não. Mas primeiro uma reação a melodia. Eu sinto que sim ou não? Se eu sentir que é bom, isso merece um lugar na minha coleção. E se você pensar sobre isso, se Sergio Mendes fez uma música com Stevie Wonder, isso basicamente liga a música soul brasileira e dos EUA. O mesmo vale para Marcos Valle e Leon Ware. Se existe Jazz Fusion, esta é a ponte entre jazz mais tradicional e disco/funk. E assim continua, é por isso que toda música boa está relacionada. Para mim nunca foi sobre o pontapé/energia sozinho.

5 – Aqui do Brasil é possível constatar que Amsterdam possui uma cena muito forte e repleta de novos artistas trocando experiências com nomes mais experientes. Qual é a sua análise do atual momento da cidade no cenário eletrônico?

O legal sobre Amsterdã é que está florescendo bem agora. Muitas sementes foram plantadas nos últimos 20 anos, se não mais. Há fortes organizações na cidade e em outras partes da Holanda também, e elas parecem estar indo bem. Bons festivais, lojas, agências, clubes, produtores etc. Levou algum tempo, mas agora está muito bom. Eu também vi uma Amsterdã mais minimal.

6 – Quais são suas expectativas para tocar no aniversário da Gop Tun? O que você tem acompanhado recentemente sobre as transformações da cena no Brasil?

Posso dizer que já vi um pouco do desenvolvimento da música em São Paulo. Apenas por distância, já que só vim para o Brasil apenas uma ou duas vezes por ano nos últimos 10 anos. Eu não tendo a ter expectativas, estou animado por vir novamente. Veremos como será, mas espero que seja muito legal, é claro. Estou bastante certo de como será com a crew da Gop Tun.

7 – Fora a música, quais são suas outras grandes paixões? De alguma maneira, elas tem influenciado você em sua caminhada enquanto DJ?

Ainda sou treinador de futebol, dirijo a equipe da minha filha. Isso me dá muito prazer, além disso, foco quase todo meu tempo na música. Eu também amo cozinhar, adoro filmes, adoro viajar. Em geral, eu posso amar várias coisas diferentes, mas agora mergulho na música, pois quero alcançar mais com ela. As outras coisas virão mais tarde.

8 – Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

É minha orientação. Ela me diz a diferença entre certo e errado. Me dá equilíbrio. Me faz conhecer pessoas realmente legais. Ela coloca comida na mesa. A única frustração que me dá é que eu não estou fazendo música por conta própria. Não sei como equilibrar isso com o tempo que gasto com todas as outras coisas que faço com ela e com a empresa que administro. Estou deixando ir com esta ideia, porque acho que você precisa gastar pelo menos 10.000 horas com um instrumento para lidar bem com ele. Eu sei que eu deveria ser conseguir tocar, só não sei de onde eu tiro as 10.000 horas para praticar o instrumento. Talvez seja hora de configurar o meu kit de bateria novamente, esquecer o tempo e começar a tocar de novo. Acho que é o que eu vou fazer quando voltar do Brasil.

A música conecta as pessoas!