Loooooooooong com Thiago Guiselini

Só quem já viveu um long set magistral numa pista de dança sabe o poder que isso possui. Se você ainda não vivenciou algo assim, converse com os DJs mais próximos e sinta a emoção na fala deles ao perguntar sobre a oportunidade de entregar um long set. É unanimidade: com tempo é que se constrói longas jornadas musicais. Com várias horas à disposição é que um artista pode realmente manipular a pista, apresentar diferentes frentes de sua pesquisa, alternar o mood. 

Claro que isso é muito mais agradável de ser feito no dancefloor, mas nós também sentimos falta de long sets disponíveis em formato de podcast, para ouvir em casa, no trabalho, com os amigos. Aquele set que vai te acompanhar durante toda uma tarde ou noite. Por isso, criamos o Loooooooooong, nova sessão de podcasts dentro do Alaplay que funcionará de forma mensal, sempre com um DJ que admiramos muito, conduzindo um set que deve ter algo entre 4 a 10 horas. Começamos com o amigo de longa data, brasileiro, atualmente residindo em Lisboa, comandante da Amor Records, Thiago Guiselini.

Thiago Guiselini

Cinco horas né? Confesso que em 19 anos de carreira nunca gravei algo tão longo. Já toquei mais horas que isso, o que é bem diferente pois existe uma atmosfera que faz a coisa fluir, numa gravação. Sozinho por esse tempo fui pego de surpresa.

Tentei transmitir um pouco dessa trajetória como DJ nesses anos, coisas que tocava, que descobri há pouco ou que nunca saiu do case, passando por Disco, Jazz, Breaks, Techno e minha maior base, o House.

O tempo e o formato geram uma maior liberdade, não se prendendo tanto a mixagens e deixando correr naturalmente, às vezes mudando de caminho completamente. Toquei músicas que nunca toquei na pista ou em set nenhum, coisas que não gostava no passado mas hoje admiro, e nesse exercício acabei tocando algumas coisas que nem lembrava mais.

Deixei algumas músicas tocarem inteiras, o que raramente é possível de fazer nas festas. Alguns discos que tive o privilégio de encontrar por conta da jornada na Amor Records, produções de DJs que passaram pela Soul.Set, como Ron Trent, DJ Spinna, Joe Claussell, Andrés, Metro Area (Darshan Jesrani), DJ Kon. Acabei não conseguindo tocar de todos os bookings que fizemos, mas já foi um bom resumo. 

Dropei uma que hoje em dia é um super hit e todo mundo conhece, mas na época me deu um baita trabalho para descobrir. Demorei dois meses para saber quem eram os produtores e mais três para conseguir o disco – imagine um disco promo de 500 cópias no ano 2000 ainda mais aqui no Brasil, só tinham 2 cópias por aí. Depois de ter ouvido algumas vezes tive a oportunidade de falar com um DJ na hora que ele tocou, mas o disco era preto e ainda não tinha nome. Dois anos depois foi lançado e explodiu de vez. O nome acabou por ser uma homenagem a um club de São Paulo, quem chegar até lá vai sacar qual é.

Ao todo são mais de 50 músicas, de brasileiros como Antonio Adolfo, Azymuth e Guerrinha, dos portugueses Carlos Maria Trinadade e Nuno Canavarro, do japonês  Masahiro Sugaya, do indiano Charanjit Singh, além dos produtores de House/Disco. Fora os que citei acima tem alguns outros: Gleen Underground, Robert Owens, Larry Levan, A Guy Called Gerald, Terrence Parker, Terry Francis, Blaze, Calibre, The Egyptian Lover, uma faixa do fim dos anos 70 do Stevie Wonder – super atual meio Techno/Disco – e por ai vai. Espero que curtam.

Abraço a todos e cuidem-se!
Saudades do Brasil!

A música conecta.