LP Giobbi vem ao Brasil neste Carnaval para uma apresentação no dia 17, no Rio de Janeiro, na BOMA. A artista norte-americana, que construiu um catálogo consistente com lançamentos por selos como Defected, Cercle, Global Underground e Rose Avenue, chega ao país em um momento de consolidação global. Mais do que uma DJ requisitada em circuitos globais, Giobbi representa um perfil de artista que expandiu sua atuação para além da cabine, articulando música, curadoria e responsabilidade estrutural dentro da indústria.
Para muito além de sua atuação nos palcos, ela também é uma força motriz de mudança sistêmica na indústria musical por meio de seu ativismo. Motivada pela estatística alarmante de que apenas 3% dos produtores musicais são mulheres, ela co-fundou com Lauren Spalding a Femme House em 2019. A missão da plataforma é clara: criar oportunidades reais para mulheres, pessoas de gênero expansivo, BIPOC e a comunidade LGBTQIA+ em áreas técnicas e de bastidores, onde a disparidade de gênero é ainda mais gritante. Para Giobbi, a existência da Femme House é uma resposta direta à necessidade de construir o ecossistema inclusivo em que ela mesma desejava viver e criar.
O coração da Femme House reside na educação acessível, removendo as barreiras financeiras e sociais que muitas vezes impedem o ingresso de minorias na produção musical. Desde o seu lançamento, a plataforma já educou mais de 15.000 criadores em 77 países. O projeto oferece workshops gratuitos de Ableton e sound design, além de cursos online imersivos no modelo de “pague o quanto puder”. Um destaque significativo é o She Is The Producer, um bootcamp anual gratuito realizado em parceria com a organização She Is The Music (de Alicia Keys) e We Are Moving The Needle, que já capacitou milhares de participantes em todo o mundo.
Além da capacitação técnica, Giobbi utiliza sua posição na cena para garantir que a representação visual e sonora seja uma realidade constante nos grandes palcos. A Femme House Radio, transmitida pela SiriusXM BPM, alcança mais de 15 milhões de ouvintes globais e serve como uma vitrine essencial para amplificar produtores não-masculinos. Esse esforço de visibilidade se estende a festivais de grande porte, onde a organização promove takeovers de palco e curadoria de painéis em eventos como EDC Las Vegas, Electric Forest e Hulaween. Para Giobbi, ver-se representada em um palco é uma experiência que altera o subconsciente de novas artistas, permitindo que elas acreditem ser capazes de ocupar qualquer papel na indústria.
O impacto da Femme House é sustentado por um robusto ecossistema de apoio financeiro e mentoria que visa a equidade a longo prazo. Com mais de US$ 1 milhão arrecadados e reinvestidos em programação gratuita, a fundação oferece bolsas de estudo específicas, como a Fellowship para criadores BIPOC e a Theresa Velasquez Memorial Fellowship para criadores LGBTQIA+. Esses programas oferecem treinamento individual, equipamentos de marcas parceiras como Moog, Roland e Arturia, e mentoria personalizada, combatendo o problema da exclusão de forma estrutural e contínua.
A dedicação de LP Giobbi à causa tem raízes em sua própria jornada de isolamento e na descoberta tardia de seu potencial como produtora. Ela recorda a sensação desconfortável de ser a única mulher em uma sala com centenas de homens durante seu primeiro curso de Ableton, experiência que a impulsionou a criar um espaço de aprendizado seguro. Hoje, mesmo enfrentando fases de exaustão profissional, ela encontra seu verdadeiro propósito na conexão humana e ao ver o impacto de seu trabalho, como quando descobre jovens que iniciaram suas carreiras inspiradas por seus workshops. Ao transformar a Femme House em um lar para a diversidade, Giobbi prova que a música eletrônica pode ser uma ferramenta poderosa para a democratização e o empoderamento social.