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A música conecta

Passarela quer uma pista menos mediada por telas

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 16.09.2026

A presença de celulares na pista se tornou um dos assuntos mais discutidos da cultura clubber recente. Fotos, vídeos e stories em tempo real não só passaram a fazer parte da experiência de muitos eventos, como também mudaram a forma como parte do público se comporta dentro de uma pista de dança. Em vez de ser algo pontual, registrar o momento muitas vezes parece até ocupar uma parte mais importante do que viver a experiência em si.

Um levantamento recente da Eventbrite ajuda a dimensionar esse movimento: em 2025, eventos descritos como “phone-free” ou “photo-free” cresceram 567% globalmente, enquanto a presença de público nesse tipo de experiência aumentou 121%. O dado mostra que a discussão deixou de ser apenas uma percepção de pista e passou a influenciar a forma como festas, clubs e eventos ao vivo têm pensado sua relação com o celular.

A partir desse contexto, algumas festas passaram a adotar políticas de restrição a fotos e vídeos como parte da própria proposta de experiência. Em geral, a intenção é diminuir a interferência do celular e fazer com que o público esteja mais atento ao que acontece ali, na relação com a música, com o espaço e com as outras pessoas. Na Passarela, esse ponto ajuda a explicar uma parte importante da identidade do projeto. 

O nome já carrega uma ligação com moda, exposição, presença e estilo, enquanto a comunicação da marca passa por fotografia, direção visual e estética bem definida. Por isso, a no-photo policy não vai contra a imagem, mas contra a necessidade de transformar a pista em conteúdo o tempo todo. A festa continua sendo registrada, só que sem colocar essa função nas mãos de quem está ali para dançar.

Isso conversa diretamente com o lema da label: “faça da pista a sua passarela”. Em vez de uma passarela tradicional, onde poucas pessoas desfilam e outras assistem, a ideia é que todo mundo que ocupa a pista participe daquele ambiente de alguma forma. O público não está ali só como espectador de um lineup, mas como parte da estética, da energia e do comportamento que a marca tenta construir.

Essa visão também ajuda a explicar a curadoria musical da Passarela. O techno ocupa o centro do projeto, mas há espaço para variações como house, acid, minimal, raw e deep, abertura que aparece tanto nas festas quanto na Passarela Records, selo que funciona como extensão da pesquisa artística da marca e já lançou projetos como o álbum Scorpio, de Baldacci, e mais recentemente a compilação PEDRA VA#1.

Depois de edições no Discreto Club e no Crema Club, a Passarela chega ao D-EDGE neste sábado, dia 19 de setembro, com Ana Jablonski, Baldacci, Caio Muratore, John Hood, Knai, Lost in the Supermarket e ZXNX, que apresenta um hybrid set. Para uma marca ainda jovem, a entrada em um dos clubs mais simbólicos do país ajuda a apresentar sua visão de pista dentro de um espaço importante para a cultura clubber brasileira.

Mais do que uma festa construída em torno da restrição de câmeras, a Passarela usa a no-photo policy para reforçar seu propósito: a pista pode ser mais interessante quando o público está menos preocupado em registrar tudo e mais disposto a viver.

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