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A música conecta

Veludo Festival e a ponte entre a cena clubber e a cultura raver

Por Marllon Eduardo Gauche em Notes 25.08.2026

A Veludo nasceu em Belo Horizonte a partir de um grupo de amigos ligados à educação, à música e à criação de encontros. Antes de chegar ao formato de festival, o coletivo se formou em torno de uma casa, de afters e de pessoas que compartilhavam uma visão parecida sobre pista e convivência. Essa origem ajuda a entender a proposta que o projeto passou a desenvolver nos anos seguintes: aproximar a cultura clubber do house e do techno de uma experiência mais imersiva, sensorial e conectada à natureza, tradicionalmente associada ao universo das raves.

Essa ponte aparece tanto na história quanto na curadoria da Veludo. Parte dos fundadores veio da cena do psytrance e, ao se aproximar do universo clubber, percebeu que esses dois mundos já dialogavam musicalmente, embora nem sempre ocupassem os mesmos espaços. O festival, portanto, nasceu dessa tentativa de encontro: uma programação que parte da estética noventista do house e do techno, mas se abre para trance, acid, música multicultural, brasileira, experimentações e outras linguagens que atravessam a pista.

Em 2024, esse movimento deu origem à primeira edição do Veludo Festival, realizada na Cachoeira do Pedrão, em Heliodora, no sul de Minas Gerais. A proximidade com a cachoeira, a mata, o camping e a permanência durante quatro dias ajudam a moldar uma experiência em que o entorno participa da própria proposta do festival.

Esse cuidado aparece tanto na curadoria quanto em diferentes aspectos da produção. O lineup reúne artistas de diferentes origens, gêneros, regiões e trajetórias, valorizando também nomes emergentes da própria cena. Ao mesmo tempo, o festival reforça uma ideia de acolhimento por meio do sistema de som, da iluminação, da comunicação com o público, do camping, das áreas de descanso e de uma hospitalidade que procura refletir características do interior de Minas.

Entre os dias 4 e 7 de setembro, a Veludo retorna à Cachoeira do Pedrão com mais de 60 artistas, três pistas, instalações visuais, performances, oficinas, feira mix, piscina natural e área de camping com segurança, duchas aquecidas e banheiros estruturados. O lineup reúne nomes como Lola Parda, Due, Que Sakamoto, Anvil FX, Pivoman, KENYA20HZ apresentando Dona Sinistrus, Fako, Janczur, Ciel, Ylia, DJAHI, Shigara, Cadela Céu, Mapù e muitos outros, além de uma terceira pista voltada a sons mais ambientes e momentos de descompressão.

A partir dessa combinação, a Veludo se coloca em um formato pouco explorado dentro da cena eletrônica brasileira: um festival de imersão na natureza que nasce do universo clubber, mas não tenta se fechar nele. Parte da identidade do festival está em permitir que diferentes comunidades, sonoridades e formas de viver a pista coexistam durante alguns dias, sem que a experiência precise ser medida pelo tamanho da estrutura ou pelo peso dos nomes anunciados.

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