Da vida de digger, para uma Digger shop! Esse caminho não parece ser algo tão difícil de acontecer, tendo em vista de que estamos falando de um artista verdadeiramente apaixonado por pesquisa musical e discos de vinil.
Klayton Keppen, ou mais conhecido como DPR, é um dos grandes nomes do cenário curitibano, e sobretudo um artista que podemos classificar como um digger experiente. Com uma pesquisa que flui para além de diversas vertentes, caminhando do Minimal House ao Electro, passando muitas pelos clássicos do House e Techno sem nenhuma dificuldade, DPR possui um olhar atento para uma seleção que inclui peças raras, e até mesmo diferente de uma sonoridade considerada padrão. Esse apreço por escavar pérolas em mídias físicas, corroborou em uma extensa coleção de títulos que o artista mantém em seu acervo pessoal.

Foi então que durante esses tempos de pandemia, DPR decidiu colocar alguns discos de sua prateleira à venda para amigos próximos. E não é que o negócio deu certo? Com cada vez mais interessados, o artista passou então a ampliar sua oferta para além dos próprios títulos de seu acervo, passando a visitar lojas especializadas e ingressar em uma procura através de sebos e coleções antigas, ampliando sua rede de contatos com a ajuda de seu pai. E claro, para um bom digger, o garimpo se torna pura diversão.

“Ficava manhãs, tardes e noites atrás de discos do gênero eletrônico, ouvia tudo e fazia uma seleção das coisas legais que eu conseguia achar perdidas para colocar para vender. Assim, foi cada vez aparecendo mais pessoas interessadas, meu investimento para fazer esse digging em lugares diferentes começou a crescer, e meu sentimento era de que eu tinha que buscar mais coisas. E não foi só pelo capital que rendia para meu bolso durante a pandemia, mas principalmente pela emoção de poder propagar a boa música e o vinil em si, de uma forma descomplicada” explica Klayton.
A iniciativa da Digger Shop, também vem num momento em que importar discos da gringa, não tem sido uma forma muito agradável para o bolso dos brasileiros. A uma taxa de câmbio em torno de R$ 6,26, além da taxa de importação, aquelas peças que giram em torno de 30 – 50 euros passaram a se tornar dolorosas diante da crise. Então, por que não investir em discos que já estão em território nacional?
O “second hand” em boa qualidade, que varia entre o Very Good Plus e o Near Mint, são selecionados quase que diariamente na Digger Shop, e se você não for esperto, o sold out acontece rapidamente. Só em uma das escavações de Klayton, que se deparou com uma coleção arrematada de quase 1 milhão de discos, rendeu à loja cerca de mil títulos novos.

O trabalho de organização e categorização também não é uma tarefa fácil. Com horas e horas de escuta, segundo Klayton, não dá para se emocionar demais sobre uma única faixa: “outro segredo também é não se emocionar muito tempo na mesma faixa para dar mais tempo de escutar vários! Em seguida separamos 3 por 3 categorias, os que “sim”, “não” e “repescagem” que são os que ouço novamente no final para decidir. Passo rapidamente os discos e vou colocando ao lado em cada categoria”.
A Digger Shop vai muito além de uma simples loja de discos. Envolve uma paixão profunda pela pesquisa, e sobretudo uma curadoria pensando também na exclusividade, envolvendo aqueles títulos que só quem possui, poderá desfrutar. Um trabalho de disseminação musical para os amantes da música, vindo de quem é apaixonado pela cultura eletrônica.
Aqui vai algum dos títulos que passaram pelas prateleiras da Digger Shop:
A música conecta.