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A música conecta

Jayda G retorna ao Brasil após fazer história no primeiro encontro. Qual artista encontraremos?

Por Alan Medeiros em Storytelling 20.04.2023

Jayda G é uma daquelas artistas que estão aí para mudar parâmetros dentro da indústria e disso não há mais dúvidas. Em 2018, quando se apresentou em São Paulo na segunda edição do Dekmantel Festival em terras brasileiras, ela ainda tinha um certo ar de aposta. Hoje a realidade é bastante diferente. Jayda retorna ao Brasil na posição de estrela global, com tour passando por diferentes cidades e uma pergunta no ar: qual artista encontraremos? 

Jayda G: "Both of Us" (VÍDEO) - Música Instantânea

Quando tocou no Brasil em 2018, Jayda tinha somente um EP lançado. Sixth Spirit of the Bay até conquistou um sucesso considerável, mas ainda tímido em relação aos projetos que o sucederam. Fato é que já nesse trabalho a artista canadense demonstrava ao mundo a capacidade de trazer algo novo para a House Music através de sua mistura de influências e referências que passam diretamente pelo House (claro), Disco, Black Music e até mesmo Pop. 

Dois anos mais tarde, quando chegou para tocar no Dekmantel São Paulo, seu hype não se devia a um disco específico, mas principalmente ao excelente set tocado no Dekmantel de Amsterdam no ano anterior. Aquele set no palco do Boiler Room em 2017 ganhou o mundo e é um dos clássicos da plataforma. Ali ela mostrou algo fundamental e que a cena pedia há muito tempo: presença e seleção musical de artistas da nova geração do House. Jayda G se mostrava muito preparada para encarar grandes pistas do mundo, mesmo com poucas amostras online disponíveis até ali.

Se você não ouviu aquele set, contextualizo que ele é importante para entender as bases musicais da DJ e produtora do Canadá. Foi naquele embalo que ela chegou no Brasil para encarar um slot importante mas também difícil: penúltimo set da segunda noite de festival no palco Selectors, logo antes do experiente Antal. Essa apresentação no Brasil, meus amigos, é uma relíquia. Certamente um dos melhores e mais enérgicos sets que eu já tive a chance de ver ao vivo. Por algum tempo pensei que boa parte desse meu entusiasmo teria se dado por uma percepção de momento especial pessoal, mas nos meses e anos seguintes não parei de encontrar com pessoas que tiveram uma relação muito parecida e até superior com tal momento. 

É fantástico que Jayda G esteja de volta ao Brasil para, quem sabe, produzir novos momentos de catarse coletiva na pista. Nesse retorno ao país ela terá 3 datas: dia 20 na Vapor em Brasília, 21 na 1010 em BH e 22 em São Paulo no Gop Tun Festival – em horário nobre no Main Stage. Desde o seu anúncio tenho relembrado memórias de sua primeira passagem e também refletido em torno da temática central desse texto, pois é fato que sua carreira se encontra em um momento muito diferente do de 2018.

Parklife | Gallery | Jayda G | Jayda G

Nos últimos 5 anos, Jayda G se foi headliner de praticamente qualquer evento que tocou. Ela seguiu experimentando e colaborando com gêneros e artistas diversos. Nesse processo, remixou oficialmente Dua Lipa, Taylor Swift, Grife e as meninas do HAIM. Seu sucesso transcendeu as pistas na pandemia e a tornou uma artista também desejada pelas rádios e plataformas de streaming. Inegável uma abordagem mais pop e mainstream ao seu trabalho desde então. 

Entretanto foi o contrato com a Ninja Tune em 2019 um dos fatos mais importantes e decisivos de sua carreira. É pelo lendário selo independente britânico que ela vem trabalhando seus principais releases autorais desde então. Seu álbum Significant Changes é um marco, sem dúvidas. Tipo de trabalho que vem pesado pela música, mas também pela mensagem que carrega. Em 2020, na sequência de seu álbum debut, lançou Both Of Us, uma música que já pode ser considerada um clássico do House apesar da pouca idade. Mais uma vez, demonstrando maturidade frente às oportunidades conquistadas. 

2021 foi importantíssimo pelo lançamento de sua coletânea pela aclamada série DJ Kicks, um marco na carreira de qualquer ser humano que se reconheça como DJ. All I Need, sua faixa inédita lançada neste projeto, se tornou outro grande sucesso de discografia. Ano passado lançou fora da Ninja Tune, seu trabalho que talvez seja o mais raso em termos musicais. A collab Mine O’ Mine com Aluna tem uma pegada de Tech House fácil e uma abordagem bem mais pop americanizada – foi lançada pela Mad Decent do Diplo. O release ainda ganhou um remix pack de ninguém menos que o Inner City na sequência. 

Para este ano Jayda está trabalhando no lançamento de seu novo álbum, Guy, que homenageia seu pai. O trabalho já está em processo de lançamento de singles de antecipação e tem data oficial de lançamento agendada para o dia 9 de Junho. Circle Back Around e Blue Lights, os dois singles liberados até aqui, mostram uma abordagem interessante, algo que mistura as linha do House do Pop de maneira intrigante. Entretanto, ela parece se distanciar das referências Disco que tanto marcaram seus primeiros trabalhos e até mesmo sets disponíveis. 

Pela grande DJ e seletora que eu acredito que Jayda G seja, é difícil cravar qual artista que encontraremos no Brasil nessas três datas – até pelo perfil diferente que cada festa possui. Seu momento é outro comparado a 2018, mas até aqui mesmo as decisões mais comerciais que trouxe para sua carreira foram assinadas com bom gosto e clareza. Na pista, são outros 500, não dá para esperar que ela faça um show estilo live, com seus maiores hits. A bagagem acumulada nas mais diferentes pistas que passou, certamente confere a ela mais experiência e visão para driblar os desafios que um público pode ter e entregar através de sua música, emoção e energia, características intrínsecas a sua personalidade artística.

A música conecta.

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