Honey Dijon. Doçura de um lado. Acidez de outro. Um nome que parece carregar, em duas palavras, boa parte daquilo que tornou sua presença tão emblemática na cena clubber: elegância, impacto, tempero e uma personalidade que nunca passou despercebida e nem mesmo buscou agradar por sua neutralidade.
Nascida em Chicago, berço da house music, Honey Redmond construiu sua trajetória sem separar pista, moda, corpo e política. Sua formação vem de uma relação muito próxima com a cultura que deu origem ao gênero. Antes de se tornar uma das DJs mais influentes da cena, Honey cresceu cercada por lojas de discos, clubes e referências que ajudaram a moldar a linguagem da house music. Depois, em Nova York, essa bagagem ganhou novas camadas: ballroom, moda, performance e uma compreensão ainda mais ampla da pista como espaço de prazer, afirmação e liberdade.
Como DJ, Honey Dijon construiu sua reputação com sets intensos, físicos e cheios de repertório, transitando por house, disco, techno, classic grooves e outras derivações. A apresentação gravada pelo Boiler Room no festival Sugar Mountain, em 2018, em Melbourne, ampliou sua imagem para uma audiência global, mas não inventou sua importância, apenas trouxe visibilidade mundial para aquilo que ela já carregava: domínio de cabine, conhecimento histórico e uma forma muito própria de conduzir a pista.
Essa amplitude também foi para outras áreas, como a moda, onde assinou trilhas para desfiles de marcas como Louis Vuitton e Dior, além de criar sua própria marca, Honey Fucking Dijon. Na música pop, participou de Renaissance, álbum de Beyoncé que recolocou a house music, o disco e a ballroom culture no centro de uma conversa global. Mais recentemente, também apareceu no ciclo de lançamento de Confessions II, novo álbum de Madonna, reforçando sua posição como uma artista capaz de atravessar clubes, passarelas e grandes plataformas culturais.
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Já falando do seu trabalho de estúdio, Honey combina faixas autorais, remixes, colaborações e projetos conceituais. Do álbum The Best of Both Worlds ao statement político e coletivo de Black Girl Magic, ou ao mais recente The Nightlife, Honey Dijon usa a música como extensão da sua experiência, conectando prazer, resistência, comunidade e pista com trabalhos que não tentam separar discurso e dança, tudo acontece no mesmo espaço.
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Agora, Honey Dijon chega ao Brasil através da Entourage com a turnê Housenation para duas apresentações: São Paulo, no dia 24 de julho, e Curitiba, no dia 25. Em um momento de forte projeção internacional, sua vinda ao país cria o contexto ideal para revisitar algumas das faixas que ajudam a entender sua trajetória. A seguir, selecionamos 10 tracks que percorrem diferentes fases da artista, entre clássicos de pista, colaborações importantes, remixes e produções que mostram por que Honey Dijon se tornou uma das vozes mais influentes da cultura clubber contemporânea.
Honey Dijon & Paul Alexander – Noise Violation [Nervous Records, 2010]
Muito antes de sua projeção global, Honey Dijon já aparecia junto a labels importantes da indústria. Noise Violation, parceria com Paul Alexander, foi incluída em 2010 na compilação Summer Clubbing 4 Sampler, da Nervous Records, selo nova-iorquino com peso histórico dentro do house. É um recorte inicial que mostra Honey orbitando em um som mais “leve” e clean.
Honey Dijon & Tim K feat. John Mendelsohn – Thunda [Classic Music Company, 2015]
Lançada em 2015 pela Classic Music Company, Thunda marca um passo importante na consolidação de Honey Dijon como produtora. A faixa carrega uma energia mais hipnótica e sofisticada, aproximando sua herança de Chicago de uma leitura contemporânea do house. Com o tempo, ganhou ainda mais vida através de remixes, como o de HNNY e Rampa.
Honey Dijon feat. Shaun J. Wright & Alinka – 808 State of Mind [Classic Music Company, 2017]
Presente em The Best of Both Worlds, álbum de estreia de Honey Dijon, 808 State of Mind é uma das faixas que melhor traduzem sua relação com a história da dance music. A música conecta Chicago, ballroom, referências balearic e uma atmosfera nostálgica do house. É Honey olhando para as raízes do gênero com domínio de repertório e personalidade.
Madonna – I Don’t Search I Find (Honey Dijon Remix) [Interscope Records, 2019]
O remix de I Don’t Search I Find aproxima Honey Dijon de uma das artistas pop que mais ajudaram a levar a cultura clubber e queer para o mundo. Lançado em 2019 pela Interscope, o pacote de remixes assinado por Honey deu nova musculatura de house à faixa de Madonna e antecedeu um marco importante: em 2020, a música se tornou o 50º número 1 de Madonna na parada Dance Club Songs da Billboard.
Honey Dijon feat. Hadiya George – Not About You [Classic Music Company, 2020]
Not About You abriu caminho para o universo de Black Girl Magic, álbum que viria dois anos depois. Em parceria com Hadiya George, Honey entrega uma faixa vocal luminosa e afirmativa, com uma mensagem que coloca a coletividade no centro da conversa. É uma faixa que aponta para a fase em que sua produção passa a carregar de forma ainda mais explícita temas como comunidade, amor próprio, presença e liberdade.
Honey Dijon & Channel Tres feat. Sadie Walker – Show Me Some Love [Classic Music Company, 2022]
Um dos grandes momentos de Black Girl Magic, Show Me Some Love reúne Honey Dijon, Channel Tres e Sadie Walker em uma faixa elegante, sensual e super clubber. Ela ajuda a posicionar o álbum como um trabalho de colaboração, afeto e afirmação, reunindo vozes diferentes em torno de uma mesma ideia.
Jamie xx feat. Honey Dijon – Baddy On The Floor [Young, 2024]
Baddy On The Floor colocou Honey Dijon ao lado de Jamie xx em uma das colaborações mais comentadas de 2024. A faixa nasceu durante trocas remotas entre os dois artistas no período da pandemia e ganhou força depois de aparecer em sets e festivais, incluindo o Coachella. Ela mostra Honey ocupando um espaço capaz de atravessar o pop eletrônico, o indie dance e o circuito de grandes festivais.
Honey Dijon feat. Chlöe – The Nightlife [SOS, 2025]
The Nightlife inaugura a fase mais recente de Honey Dijon e antecipa o álbum de mesmo nome, lançado em 2026. Ao lado de Chlöe, ela aposta em uma faixa mais pop, vocal e brilhante, mas ainda guiada pela ideia de noite como espaço de desejo e glamour. O single mostra Honey ampliando sua linguagem, onde club music, R&B, imagem e cultura pop se encontram sem apagar sua assinatura dentro do house.
Honey Dijon feat. Bree Runway – Slight Werk [SOS, 2026]
Slight Werk foi o primeiro lançamento de Honey Dijon em 2026 e apresentou outra face de The Nightlife. Com Bree Runway, a faixa traz uma energia mais frontal, fashion e provocativa, muito conectada ao universo visual que sempre atravessou a obra da artista. É uma música que entende a pista também como atitude, corpo e performance, reforçando o lugar de Honey como alguém que trabalha a house music para além do som.
Madonna & Sabrina Carpenter — Bring Your Love (Honey Dijon Remix) [Warner Records, 2026]
Para fechar a seleção, Honey Dijon aparece novamente em diálogo com Madonna, agora remixando Bring Your Love através de duas versões, Peaktime Dub Remix e Twilight Mix. O trabalho reforça a presença de Honey como uma artista capaz de traduzir grandes projetos do pop para a linguagem da pista, conectando house music, cultura clubber e cultura queer em um mesmo movimento.