Antes de iniciar esse texto em seu formato mais tradicional, preciso fazer uma breve contextualização. Conheci Gabss há alguns anos, mais precisamente em setembro de 2022, quando ele ainda era apenas um artista regional no litoral de Santa Catarina. O vi tocar em uma festa chamada The Boat, em alto mar, em Bombinhas, e logo após terminar seu set, fui até ele elogiá-lo pelo que tinha escutado. Uma mistura muito interessante e fluída de House e Tech House, com algumas tracks conhecidas e outras unreleaseds, o que deu um “charme” a mais na apresentação. Senti que ele tinha algo diferente naquele momento, era um artista com potencial.
Meu feeling estava certo. Dois anos depois, Gabss é um nome que pode ser considerado parte da nova geração de artistas em destaque na cena. Talvez você tenha escutado falar nele recentemente por conta do vídeo viralizado de Lost, edit que ele produziu ao lado de Vintage Culture e que foi lançado no Soundcloud alguns dias atrás, mas a verdade é que suas tracks já vem sendo tocadas por uma lista gigante de artistas não só nacionais, mas principalmente internacionais. De Michael Bibi a Jamie Jones, passando por Marco Carola, Solomun, Adam Ten, Camelphat, Maceo Plex, Loco Dice e por aí vai.
Essa percepção de sucesso pode até ser recente, mas não é algo que aconteceu de uma hora para outra. Já são mais de 10 anos dedicados à carreira de DJ e produtor, dedicação essa que agora está sendo reconhecida pelos principais nomes da indústria. Inclusive, Mochakk é alguém que merece uma menção especial, pois foi um dos primeiros a apoiar as produções do artista catarinense e a levá-las para diversas partes do mundo, a exemplo do single Boladão, um Tech House super pista que fez muito sucesso em 2023, superando 580 mil plays só no Spotify.
Essa track, porém, foi apenas uma pequena amostra do que viria a seguir. De 2023 em diante, ele tocou em alguns dos principais clubs do Brasil, incluindo Surreal Park, D-EDGE, El Fortin, Vibe e Matahari, e assinou com labels de respeito como Material, CUFF, Organic Pieces, Hellbent, Rawthentic e Otherwise Records, iniciando sua trajetória de consolidação. Mas certamente a melhor parte ainda está por vir. Gabss tem chamado a atenção principalmente por conta de suas tracks unreleaseds, tanto que além do edit de Lost, ele possui outras três faixas em colaboração com Vintage Culture para serem lançadas — Vintage, inclusive, tem “apadrinhado” o artista e publicamente já o reconheceu como um dos produtores mais talentosos made in Brazil.
Agora, podemos dizer que Gabss não está mais num momento de amadurecimento, mas sim de lapidação do que construiu até aqui, com um estilo de som que não se limita a apenas um gênero e que cada vez mais carrega uma identidade própria. O reflexo disso se dá principalmente na procura que ele tem recebido das gravadoras gringas, com diversos convites de grandes players do cenário, a exemplo de seu recente lançamento, Conga, pela Maccabi House, uma das hot labels do momento. Outros selos como STMPD Records – Gravadora do Martin Garrix – e EXE AUDIO, também demonstraram interesse nas faixas do brasileiro.
O foco agora é posicionar o projeto em novo patamar, consolidando sua posição entre os grandes nomes da música eletrônica e mostrando que o reconhecimento alcançado pode ser traduzido em um protagonismo de atuação dentro da cena.