Campinas tem uma cena eletrônica que já não pode mais ser entendida como “off-circuit”. O trabalho coeso e constante de seus componentes levou a cidade a produzir seu próprio ecossistema de talentos, clubs, eventos e festivais, e nesta safra prolífica está o duo Fugaz. Inclusive, foi no espaço aconchegante do Club 88 que Fael e Rica se conheceram e, a partir dali, participaram e prestigiaram de maneira visceral todas as camadas da cultura da Dance Music. Essa energia atenta e proativa, além do tato repertorial e a clareza como lidam com seus objetivos de carreira, são fatores que fizeram o projeto crescer para além de sua região e se posicionar como um duo promissor no underground nacional.
Essa mesclagem brilhante de grooves, estilo, pesquisa e autenticidade do Fugaz já gerou uma tour por São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Fortaleza, Curitiba, Manaus e Rio de Janeiro, uma aventura que foi apelidada de “tsunami elétrico” e que, em 2022, representou cerca de 100 apresentações. O público de núcleos e espaços conhecidos da cena dançou ao som de Fugaz, entre eles 1992 (CE), Dante (CWB), Deputamadre (BH), Horny (BH), Comuna (RJ), Kevin (SP), Jerome (SP), e Maomoon Festival (AM). No Caos Campinas, casa que os abraçou mais de dez vezes somente em 2022, Fael e Rica residem nas festas Wolf e Ivy.
O slogan da dupla nas redes é direto e certo – “Make House & Techno Queer Again”. Com sua presença nas pistas, o Fugaz incentiva através da música uma egrégora hedonista, como um convite para a liberdade de uma dança debochada, livre, sensual, performática, ostensiva, sem ressalvas e sem remorso. Para isso, vale House, vale Disco, Acid, Techno, e a jornada pode caminhar imprevisivelmente entre a elegância do Chicago, Garage, Jacking e Deep, a imponência do Diva House, as hipnoses arpejantes do Synthpop e até mesmo as nuances nomádicas da World Music.
Em paralelo à sua difusão catártica de sons que vão do vintage ao exótico, Fugaz faz o fomento da dance music underground nos bastidores também. Co-produziu com a galera do Caos a Campinas Toca Disco, super evento na Concha Acústica do Taquaral, com apoio da prefeitura e que reuniu 7000 pessoas. O público, com entrada franca, pôs-se a bailar diante dos seus mixes e os de Eli Iwasa, Salin, Tessuto e Valentina Luz. Em outra frente, junto de seu principal parceiro criativo Fujimiro, teve tempo também para guiar o projeto Rainbow on Me, que ajudou ONGs LGBTQIAPN+ em Campinas e teve apoio de Alok, Pabllo Vittar, Urias e Sabrina Sato.
2023 promete mais novidades na produção musical para o Fugaz, tópico que já pautou neste ano no lançamento de Aorta no VA Daddy Tapes, da Sorry Daddy Record, e no constante aprimoramento através de mentorias com mestres da música eletrônica, como Renato Cohen. Mais à frente já deram spoiler de um EP na Me Gusta Records, um remix com L_cio e um single na label uruguaia U’re Guay Records. O conceito do Fugaz, certamente, será traduzido em música e vai reforçar seu propósito: “É sobre a fuga, com certeza… da realidade, da dor, da rotina, da mesmice e da breguice. Sem a arte e a música, a vida era cinza, sem graça. Faltava significado! E é isso que nos mantém insistentes: surpreender a nós mesmos, derrubar barreiras musicais impostas, questionar e amplificar vozes. Faz mais sentido estar vivo, é a esperança que nos afasta da depressão”, comenta o duo.
A música conecta.