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A música conecta

Solare: uma identidade artística guiada por calor, sensibilidade e presença

Por Elena Beatriz em Trend 23.07.2026

O nome Solare carrega uma homenagem às origens da artista, natural de Florianópolis, e sintetiza aquilo que ela deseja compartilhar por meio da música. Assim como o sol, sua presença artística procura aquecer, iluminar e energizar as pessoas e o ambiente, transformando sensibilidade em uma potência capaz de alcançar quem estiver na pista. Não se trata apenas de uma escolha estética, mas de um princípio que orienta a forma como ela constrói sua carreira e apresenta sua personalidade.

Sua relação com a música começou antes das cabines. Criada em uma família próxima da arte, Solare participou do coral da escola e aprendeu violão com o pai ainda durante a infância. Essas experiências ajudaram a formar uma ligação emocional com a música que, anos depois, encontraria na cultura eletrônica um caminho para se expressar e criar conexão com outras pessoas.

Quando começou a tocar, Solare percebeu que a discotecagem permitia reunir diferentes aspectos da relação que havia construído com a música desde criança. A pesquisa, a escolha das faixas e o contato com o público passaram a fazer parte de um processo no qual sensibilidade e energia são praticamente um pleonasmo. Foi a partir dessa descoberta que o projeto começou a se desenvolver, primeiro pela atuação como DJ e, posteriormente, pela incorporação dos vocais, da composição e da produção musical.

Desde 2018, essa relação com a música vem amadurecendo diante de pistas muito diferentes entre si, e o crescimento do projeto aconteceu a partir desse contato contínuo com o público: cada apresentação trouxe novas percepções sobre escolha e condução, enquanto ajudavam Solare a desenvolver uma identidade cada vez mais segura. Com o tempo, a artista chegou a espaços como Green Valley, Surreal Park, Club Vibe, Terraza Music Park e D-Edge, construindo uma trajetória em que projeção e amadurecimento avançaram lado a lado.

Entre essas experiências, o warm up para Boris Brejcha no Green Valley ocupa um lugar especial. Além da emoção de dividir a programação com um artista que admira, a apresentação reuniu responsabilidade, preparação e a experiência acumulada ao longo dos anos. Diante de uma pista de grande projeção, Solare pôde reafirmar a confiança no trabalho que já vinha desenvolvendo e reconhecer o quanto havia avançado como artista desde o início da carreira.

Esse amadurecimento já acontecia também fora das cabines. Paralelamente à trajetória como DJ, Solare voltou a cantar há cerca de três anos e passou a explorar com maior profundidade a produção de outros gêneros, especialmente o R&B, o rap e o trap. Essa fase aproximou composição, canto e discotecagem de maneira mais orgânica, tornando sua expressão artística cada vez mais pessoal.

A produção musical ocupa um papel importante nesse processo. No estúdio, Solare encontra espaço para transformar referências, emoções e ideias em faixas próprias, acompanhando de perto cada escolha que define o resultado. O trabalho autoral amplia sua autonomia e permite que sua identidade apareça tanto na seleção que apresenta ao público quanto nas músicas que cria. Aos poucos, o projeto passa a revelar com maior nitidez tudo o que ela vem construindo como artista.

A House Music continua sendo seu carro-chefe, mas já não basta para definir o projeto em sua totalidade. Ao longo da trajetória, Solare passou a incorporar diferentes interesses e habilidades ao seu trabalho, construindo uma identidade que não depende apenas do que toca ou produz. Em uma indústria que frequentemente coloca artistas em uma prateleira específica, Solare aposta na continuidade entre suas diferentes formas de expressão. Música, moda, imagem, voz e comunicação fazem parte do mesmo universo, revelando uma personalidade intensa, sensível e comprometida com cada detalhe de sua criação.

Analisando a conjuntura, a trajetória de Solare revela uma artista cuja identidade se fortalece pela relação entre diferentes maneiras de expressar a arte que carrega dentro de si. A experiência nas pistas, o trabalho desenvolvido no estúdio, a presença da voz e seus interesses participam de uma mesma unidade. É possível notar uma artista que traz para o mundo aquilo que busca carregar em seu cotidiano: sentimento e veracidade.

É essa coerência que dá sentido ao projeto. O aspecto solar não aparece apenas como símbolo de energia, mas como uma forma de presença expansiva, sensível e capaz de criar proximidade. Ao iluminar diferentes partes de sua própria história, Solare apresenta uma identidade que permanece reconhecível mesmo enquanto continua a se transformar.

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