Alataj entrevista Alec Araujo

Já falamos por aqui anteriormente sobre a tradição que o progressive house possui frente as pistas brasileiras e também registramos aqui o crescimento do estilo nos últimos anos, com novos artistas e festas buscando fazer a diferença dentro deste cenário. O DJ e produtor Alec Araujo é um destes nomes que estão trabalhando firme e forte em prol do estilo, mas muito além disso, Alec é um fomentador da dance music em sua essência.

Dotado de um grande talento que o permite transmitir emoções através da produção musical, Alec Araujo fez com que sua música chegasse aos ouvidos de nomes como Hernan Cattaneo, Nick Warren e Paul Oakenfold, artistas consagrados que passaram a apoiar suas produções na pista. Outra grande conquista foi o aval de Wolfgang Fluer, um dos formadores do Kraftwerk, para o remix não oficial da faixa Neon Lights – Wolfgang também citou o brasileiro no livre I Was a Robot.

Nas pistas, Araujo trabalhou junto a duas importantes marcas do progressive house brasileiro: FENIX e Progression. A primeira trata-se de uma festa de sua criação e já contou com a presença de nomes como Martin Garcia, Oliverio (Soundexile), Miguel Silver (Spitfire), Marcelo Vasami e Audioproject. Já a segunda é parte de uma parceria com o club paulistano D-EDGE. Em busca de mais informações sobre o perfil artístico deste talentoso DJ e produtor brasileiro, o convidamos para um bate-papo. Confira o resultado do encontro:

Alataj: Olá, Alec! Tudo bem? Obrigado por falar conosco. Queria entender como exatamente se iniciou seu relacionamento com a música eletrônica, mais especificamente com o Progressive House. O que você pode nos contar a respeito disso?

Olá! É um prazer, agradeço a todo o time Alataj pela entrevista. Sempre fui um apreciador da Disco Music e das músicas criadas nos anos 80 e 90. A música eletrônica pra mim foi uma consequência de muitos estilos e sons ouvidos desde a minha infância e o Progressive House foi definitivamente pra mim o resultado desta soma. As primeiras compras ainda em vinyl foram de músicas feitas por produtores como Satoshi Tomiie, Deep Dish, Cevin Fisher, John Creamer, Brancaccio & Aisher, Guy Gerber, Nalin & Kane, Steve Lawler, entre outros e labels como Bedrock (do John Digweed) que estavam começando a lançar. De lá pra cá, muita coisa mudou e pra melhor.

Um dos reconhecimentos mais expressivos que você já recebeu partiu do Wolfgang Flüer (parte da história do Kraftwerk), sobre um dos remixes que você fez para faixas da banda. O que esse momento representou pra você?

Kraftwerk faz parte de história da música mundial, foram pioneiros. Para mim, é inefável descrever o que significa e me sinto lisonjeado e feliz pela oportunidade proporcionada pelo Wolfgang desde o primeiro contato dele com minha música, que se deu a partir de um remix que fiz da faixa original do Kraftwerk, Neon Lights. Esse remix teve o suporte do Hernan Cattaneo e vários outros artistas mundiais chegando até o Wolfgang, nos tornando bastante próximos. Após isso, ele me convidou para remixar outra faixa que ele havia feito em parceria com o U96, de Hamburgo, a música Zukunftsmusik – significa “Música do Futuro”. Foi ótimo saber que ao final do trabalho, ele ficou plenamente contente com o meu remix. Será divulgado esse ano em um álbum chamado Colaborators com o lançamento todo a critério do Wolfgang.

De que forma sua residência no projeto Progression tem auxiliado na sua evolução enquanto DJ? Como você enxerga o futuro do projeto?

Tem sido uma experiência cada vez melhor a todos os envolvidos e as expectativas são sempre superadas a cada edição. O Progression é um projeto do D-EDGE feito com muito carinho para os amantes da música eletrônica em geral. Percebemos o quanto a ideia atrai cada vez mais pessoas que simpatizam com as apresentações dos artistas que fazem parte do projeto – em ordem alfabética: Alec Araujo, Débora Conde, Fabiano Feijó, Fernando Goraieb, Gabriel Diego, Gui Milani, Henrique Martinez, Luciano Scheffer, MiDnal, Pan, Pedro Capelossi, Pk Live, Posher, Thiago D’Jesus e outros nomes que são agregados conforme a direção artística do club dependendo do evento – nos alegrou muito saber que o Renato Ratier, o Stefano Cachiello e ao “China” Joenes (que infelizmente nos deixou em 2018) nos proporcionaram essa oportunidade, para podermos mostrar nossa expressão musical através do Progressive House no club e ver que o público devolve toda a energia a experiência musical que buscamos passar.

Ao olharmos para o seu catálogo, há algum lançamento que você considera mais importante ou especial nessa trajetória?

É difícil falar de alguma em particular. Já tive músicas tocadas por grandes nomes em clubs e festivais e a cada um destes artistas sou extremamente grato pela confiança em minhas músicas. Ao longo da minha carreira foram muitos suportes e muitas amizades que nasceram a partir daí. Todas as criações são como filhos e tenho um carinho especial por cada uma delas. Algumas tive o prazer de escutar ao vivo, como nas apresentações do Hernan Cattaneo em 2017 no Warung Club e em dezembro de 2018 aqui no Brasil. Eu percebi que minha música amadureceu bastante e recentemente finalizei dois novos trabalhos, sendo um remix para o label Stellar Fountain com lançamento para março de 2019 e uma original que se chamará My Different Love. Estes dois novos trabalhos representam algo bastante sólido para mim como produtor e realmente farão diferença entre outras músicas já criadas até o momento.

Aqui no Brasil o Progressive House marcou toda uma geração na década passada, guiado por caras como Hernan Cattaneo, John Digweed, Nick Warren e 16bit Lolitas. Como você avalia historicamente a aceitação das pistas brasileiras ao estilo?

É interessante ver como a cada ano que passa mais pessoas se identificam com o Progressive House. Temos excelentes DJs que representaram no passado e que continuam apresentando o estilo de uma forma muito profissional até os dias de hoje, além de uma safra de novos artistas e produtores que apresentam uma visão e expressão muito bonita sobre ele. O estilo em si só cresce desde então e tenho a certeza do quanto o Progressive house evoluiu e segue evoluindo. No Brasil, podemos esperar resultados muito positivos no gênero devido a quantidade de ótimos produtores atualmente. Busco sempre lembrar que o Progressive é uma maneira de tocar e de expressar a música eletrônica e é certo não se deixar levar somente por rótulos, sejam quais forem e sim, pelas sonoridades que nos levam até ele.

Motivação é um assunto sempre muito relativo, mas nós gostaríamos de saber: após tantos anos de carreira, o que te mantem inspirado atualmente?

A crença em minha arte, a reação e o impacto da minha música nas pessoas quando esta é reproduzida em uma pista de dança. Produzo sempre com essa intenção: deixar as pessoas felizes. É por causa delas que acredito que todo o trabalho vale a pena.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

A minha vida é a música. Ela representa todas as minhas conquistas. Representa os lugares que conheci, os amigos que possuo, as emoções e as lições que aprendi ao longo do meu caminho. Ela sempre esteve presente em cada momento, e sendo este momento triste ou não, ela nunca me abandonou. Sou grato, abençoado e uma pessoa melhor por isso.

A MÚSICA CONECTA.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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