Alataj entrevista Floog

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A expansão do som minimal característico da Romênia nos últimos anos passa muito por algumas figuras-chave que, muito antes desse momento de sucesso do estilo, já trabalhavam duro para a escola romena estar onde está hoje. Parte disso está ligado ao trabalho de George G aka Floog

Influenciado por nomes como Depeche Mode, Kraftwerk, Jean Michel Jarre e Pink Floyd, George começou a produzir música eletrônica ainda no século passado. Até aí, tudo bem, esse começo também representa a história de inúmeros outros produtores. O que realmente importa é o que vem na sequência, já que ele foi capaz de realizar algo destinado há poucos: ajudar a definir um gênero musical.

+++ A proposta musical do trio Premiesku é ousada, criativa e vibrante! Leia a entrevista que fizemos com eles.

Seja trabalhando solo ou em projetos como o trio Premiesku, o qual ele comanda ao lado da dupla Livio & Roby, George é sinônimo de música avançada e isso não é diferente sob seu alias Floog, o qual entrevistamos de forma exclusiva no embalo de seu último release, o EP The Gathering pela Moscow Records de Archie Hamilton. Confira: 

Alataj: Olá, George! Tudo bem? Obrigado por nos atender. De 1980 pra cá, muita coisa mudou na música eletrônica. De uma forma geral, você consegue observar alguma característica ou processo que continue intacto?

Floog: Olá, pessoal! Obrigado por me receberem também. De fato, muita coisa mudou e estamos falando da abordagem musical a respeito da discotecagem e produção. Do meu ponto de vista, um dos valores e essência da música eletrônica ainda permanece em duas áreas: estúdio e performance. Quando falo de estúdio, sinto que todo produtor sabe exatamente de onde vem a inspiração e até mesmo as faixas mudaram muito, os gêneros foram misturados e fundidos, você ainda consegue perceber como as raízes do hip-hop, jazz e rock ainda estão presentes em muitas faixas.

Quanto ao desempenho, não importa se você toca house, techno, DnB, minimal… ainda há espaço para cada DJ criar seu próprio estilo, independentemente do equipamento que estiver usando, você ainda consegue encontrar um meio de tocar e criar um set memorável.

Seu começo de carreira é marcado por influências bastante tradicionais dentro da música eletrônica. Nomes como Pink Floyd, Kraftwerk e Prodigy ainda influenciam você até hoje?

Sim, de fato. Meu pai tinha uma grande coleção de discos de música clássica, e aconteceu de eu receber um disco do Kraftwerk (The Robots) em casa, que deveria ser entregue em outro lugar. Ele mudou a minha vida e ainda muda. Posso parecer antiquado, mas foi o que me trouxe a esse momento e provavelmente será uma fonte de inspiração para sempre.

The Gathering, seu próximo EP pela Moscow Records, traz uma abordagem minimalista com boa inserção de pista. Como foi o processo criativo destas faixas? Você se lembra de alguma dificuldade ou realização especial?

Cada uma das quatro faixas têm uma história diferente. Para The Gathering EP (como o nome indica), tive a ideia de fazer uma faixa com uma abordagem minimal, mas com um toque da Moscow, mais consistente para a pista de dança.

Para a faixa The Gathering tive a ideia de usar minha Moog Sub 37 pela primeira vez, foi assim que a faixa começou, fiz algum grave. Balance Right foi feita após um dia inteiro ouvindo algumas faixas antigas do Depeche Mode.

Amiba Ta teve algumas versões diferentes antes de terminar, inicialmente era apenas o groove e então, senti que precisava de algo a mais, adicionei algumas camadas melódicas e naquele momento senti que a faixa estava completa.

Sepe Patru também foi terminada depois de passar por algumas versões, após adicionar um novo modular analógico ao meu setup do eurorack, tive que trocar o baixo que não ficava tão bom no club.

Quando tive a oportunidade de te entrevistar como parte do Premiesku, falamos sobre o desenvolvimento da cena eletrônica na Romênia. Qual a sua análise da cena neste exato momento? Há um futuro animador ou as coisas não são tão simples assim?

É uma cena que está em constante desenvolvimento. Embora tenhamos começado em uma época em que as coisas eram um pouco diferentes, sinto que há muitos jovens que conseguirão causar um enorme impacto no cenário internacional. O futuro, com certeza, é brilhante, e para mim, há um universo de entusiasmo e inspiração em relação à música eletrônica.

Ao longo dos anos, sua música tem sido amplamente apoiada por grandes gravadoras e DJs ao redor do globo. Qual é o sentimento por trás desse tipo de suporte? É uma espécie de aprovação saber que grandes lendas tocam suas faixas?

Boa pergunta. Bom, acho que é como qualquer outra indústria ou trabalho. Quando você percebe como o seu trabalho está trazendo resultados, tocando as pessoas, inspirando-as, trazendo mais impulso para sua evolução, você tem a sensação de ‘ok, parece que alguém realmente captou essa mensagem, essa batida, esse trabalho’, portanto, é mais um sentimento de gratidão e isso me dá um impulso para continuar.

E sobre as turnês? Você sente que isso causa prejuízos no seu tempo no estúdio? Você tem um cronograma ou uma “fórmula” que você segue para manter isso equilibrado?

Durante os anos, acho que consegui, de alguma forma, fazer malabarismo com esses dois. Sou viciado em estúdio, acho que a paixão que sinto me ajudou a constantemente experimentar coisas novas. Não sigo uma fórmula, mas posso dizer que as turnês também são uma fonte de inspiração que eu trago para o estúdio, é mais um fluxo entre as duas: trabalhar no estúdio, divulgar na turnê.

Gostaria de perguntar como a conexão entre estúdio e cabine funciona em sua criatividade. Você testa faixas não finalizadas e tenta incorporar a dinâmica de alguns de seus sets em suas técnicas em algum tipo de “loop de feedback criativo”?

No meu caso, tocar meu próprio material no live act torna o processo muito natural, basicamente, os últimos ajustes que faço nas minhas faixas acontecem depois que toquei e entendi se eles estão prontos ou precisam de mais trabalho de estúdio.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Eu sei que esse é o clichê de sempre, mas a música é parte de tudo que me faz feliz, a música me deu uma direção na vida, por causa dela conheci minha esposa, meus amigos… sempre foi a parte positiva da minha vida.

A música conecta.


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n' Lights Management.

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