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Alataj entrevista Sébastien Léger

Alataj entrevista Sébastien Léger

De hoje até o dia 19 de Maio, pouco mais de 3 semanas nos separam do que provavelmente será o dia mais importante da história do Alataj. Isso por que celebraremos 6 anos da nossa história em um dos clubs mais emblemáticos do mundo: o Warung, não atoa conhecido como o templo da música eletrônica.

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O line up está com a nossa cara, com Andhim, Dusky, Leo Janeiro, Albuquerque, Nezello e o estreiante da noite, o francês Sébastien Léger confirmadíssimo. Dono de importantes releases por labels como All Day I Dream, Systematic Recordings, Sudbeat Music e Jeudi, Léger é mais um artista a reafirmar o potencial da dance music francesa frente ao cenário internacional. Seu estilo traz um mix de melodias, percussões e um ar místico que já o tornou bastante admirado por outros DJs.

Nesse bate-papo exclusivo ele fala abertamente sobre seu sonho em tocar no Warung Beach Club, relacionamento com a cena de Paris, gravadoras parceiras, parcerias e muito mais. Mais informações sobre os 6 anos do Alataj no Warung podem ser encontradas aqui:

Alataj: Olá, Sébastien! Obrigado por nos atender. Finalmente você fará sua estreia no Warung Beach Club. Ao longo dos últimos anos, o que você tem ouvido a respeito do club? Quais são suas expectativas para essa gig?

Sébastien Léger: Sendo sincero, o Warung é o número um na minha lista de clubes para tocar, por muitos e muitos anos. Não estou dizendo isso porque vou tocar no próximo mês. É apenas a verdade, por isso estou extremamente feliz por tocar em um dos melhores templos de música eletrônica. Eu só ouço (e vejo) coisas ótimas sobre, a localização é fantástica, o fato que é (meio) ar livre realmente encaixa na minha vibração. Simplesmente não consigo segurar minha empolgação. Estou esperando uma atmosfera boa no geral, um lugar onde você pode tocar música para se sentir bem.

Defintivamente, há algo especial na dance music francesa. Na sua opinião. o que faz do país um polo tão importante no cenário eletrônico?

Depende muito do ângulo em que você olha. No geral, a cena em si está longe de ser ótima. Paris tem alguns eventos bons, mas é mais techno, não há muito espaço para outra coisa. Por outro lado, a França tem alguns dos melhores produtores, todos os gêneros são cobertos e tem uma história forte com a música eletrônica, começando por Jean Michel Jarre nos anos 70, depois Daft Punk nos mostrou o caminho. É claro que Laurent Garnier é nosso irmão mais velho e um exemplo de longevidade. Mas, para ser sincero, a França não está nem perto de ser “importante” na minha opinião, não como a Alemanha ou o Reino Unido.

Li em algum lugar que piano e bateria exerceram um papel importante na sua formação musical. Como você tem usado esses conhecimentos no seu processo criativo atualmente? Eles tem feito a diferença de fato?

Meus ouvidos foram treinados para a música desde quando não consigo nem lembrar, já que minha família todos são músicos profissionais. Hoje eu não consigo tocar nenhum instrumento, há muitos anos sem nenhum treinamento, mas acho que sou muito bom em editar com o computador minhas próprias melodias, meus ouvidos sabem o quando e como fazer e isso é por causa do meu passado musical, 100%. Tenho algum tipo de senso natural de harmonia, mesmo que eu nunca tenha sido capaz de tocá-las em um instrumento.

All Day I Dream, Einmusika e Systematic Recordings são alguns dos selos que você tem trabalhado atualmente. É possível dizer que seu perfil artístico muda de acordo com o destino do trabalho que está sendo executado ou você mantém sempre a mesma proposta nesse sentido?

Minha primeira forma de trabalhar é fazer música sem planejar qual é o selo em potencial. Só depois de concluída, vejo se gosto da faixa ou não, porque tenho a tendência de terminar (quase) tudo o que começo. Toco as faixas no meu set, vejo como elas funcionam, qual é o potencial na pista de dança, mas o mais importante, se elas são especiais para mim. Só depois de todo esse processo eu mantenho as melhores e decido o que vou fazer com elas, tenho muitas faixas no meu computador que nunca serão lançadas porque não estou 100% feliz com elas. Quanto ao All Day I Dream, sou fã do selo e da atmosfera da música que eles lançam e tocam desde o primeiro dia. Como DJ, sou versátil, mas onde eu me sinto mais confortável e feliz, é quando toco em um evento ao ar livre, lugares coloridos e ensolarados, um bom lugar onde não é apenas sobre tocar, mas sim sobre uma atmosfera, uma energia calorosa.

As redes sociais tem exercido um papel muito importante na cena eletrônica atualmente. No seu ponto de vista, o que pode ser feito melhor ou de forma diferente por essa parte do mercado?

Se você está falando de social media, na minha opinião, fez mais mal do que bem, e não apenas na música, mas na vida das pessoas em geral. As pessoas são escravas e viciadas em algumas coisas que têm no bolso, não é saudável a longo prazo. O que as pessoas veem é o que elas acham que é realidade. DJ de sucesso, jatinho privado, divulgação para todo lado. Tudo isso é ilusão e não reflete na cena real, o que está por trás das cortinas, e pode ser feio. É tudo manipulação sobre quem tem mais dinheiro, manager ou plano de marketing mais poderoso, eles fazem lavagem cerebral nas pessoas e conseguem vender artistas que não têm talento em primeiro lugar, fazem você pensar que o negócio é real. Em um nível mais positivo, é também uma ferramenta que você pode e deve usar para promover o que realmente importa no final, a música. Pelo menos é o que estou tentando fazer nas minhas redes, você não vai me ver posando com um coquetel em frente a uma piscina que não é minha, mas você pode me ver fazendo música ou falando sobre isso. Pelo menos eu tento.

Pessoalmente e emocionalmente, quais são os principais desafios de uma carreira na música eletrônica?

O mais difícil é permanecer relevante e na frente da cena. Pode ser desgastante mentalmente e todo artista de sucesso teve seus altos e baixos. O baixo faz parte disso e alguns nunca voltam. Você tem que ser muito forte e focado para “sobreviver”. Reinventar-se também é um desafio constante, pelo menos para mim. É crucial para uma longa carreira. Mais uma vez, é preciso bastante esforços, psicologicamente, pode drenar toda a sua energia às vezes. Eu acho mais difícil do que a parte pesada de viajar.

Tom, harmonia e ritmo dizem muito sobre a emoção que a música pode causar no corpo e coração dos ouvintes, certo? Pra você, é mais importante fazer uma música que seja tecnicamente perfeita ou que toque a coração do maior número possível de pessoas?

No meu caso, se uma faixa tem uma grande atmosfera ou ideia, mas tecnicamente ainda não está lá, sou muito exigente para deixar passar e tocar. Simplesmente não toco uma faixa que não seja decente para tocar. É muito frequente que eu mesmo tenha que editar algumas faixas, pois acho que são muito longas, ou algo está faltando ou algum som que eu realmente não gosto e deve ser excluído. Mas agora, se uma faixa tem uma ideia ruim, mas soa incrível, as chances de eu tocá-la são zero. No geral, é um equilíbrio entre ideia ou atmosfera boa e técnica

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa em sua vida?

Muitas coisas, se não quase tudo. É a minha primeira paixão. É o meu trabalho, faz eu pagar minhas contas, mas também é um momento relaxante comigo mesmo, especialmente quando eu toco no meu synth modular no estúdio. É uma forma de esquecer e escapar da realidade da vida. No final, também me faz continuar fazendo o que faço. Não ouço música em casa porque estou sempre ocupado fazendo as minhas. Ela apenas nunca para…

A MÚSICA CONECTA. 


Alan Medeiros é publicitário, sócio-fundador do Alataj e nome por trás da Beats n’ Lights Management.

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