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A música conecta

6 b2bs que ainda não rolaram mas deveriam

Por Elena Beatriz em Notes 06.06.2026

Existem artistas que, mesmo seguindo caminhos diferentes, parecem carregar pontos de contato capazes de gerar encontros potentes quando colocados lado a lado. Não pela obviedade da combinação, mas pela força de suas pesquisas, pela personalidade de suas escolhas e pela curiosidade de pensar como esses repertórios poderiam conversar na mesma cabine.

Às vezes, a sinergia pode estar na afinidade entre referências; em outras, no contraste entre formas diferentes de construir energia, selecionar faixas e conduzir a pista. De qualquer forma, quando existe um bom repertório dos dois lados, a chance de uma boa surpresa é praticamente certa.

Nesta seleção, imaginamos seis encontros que ainda não aconteceram, mas que poderiam render momentos especiais, reunindo aproximações sonoras, histórias distintas e leituras próprias sobre como guiar um momento. Em comum, todos carregam uma pergunta simples: e se esse b2b rolasse?

Entropia b2b Valesuchi

Aqui teríamos um baita live set entre dois artistas que tratam a pista como espaço de criação em movimento. Entropia combina House, Breakbeat, Garage, Dub Techno e Electro com referências brasileiras incorporadas à sua pesquisa. Valesuchi, figura importante da eletrônica latino-americana, somaria uma sonoridade percussiva e hipnótica, marcada por linhas sintéticas, vocais mântricos, influências decoloniais e uma energia que une emoção e memória. Juntos, poderiam criar um encontro intenso, mutante e cheio de personalidade.

Clementaum b2b Omoloko

Esse encontro quase aconteceu em 2025, encabeçado pela Madre Produtora, mas precisou ser cancelado devido a um imprevisto. De toda forma, seria uma junção entre duas grandes potências da música eletrônica brasileira atual. Clementaum trazendo sua energia explosiva, entre Funk, Techno, Vogue Beat, referências latinas e a força da música eletrônica popular brasileira. Omoloko entraria com uma curadoria refinada, capaz de aproximar House, Kwaito, brasilidades e outras pesquisas globais com sensibilidade. Juntos, poderiam criar um b2b vibrante, cheio de identidade e conduzido por duas visões firmes sobre pista, pesquisa e cultura. 

Alex Kassian b2b Job Jobse

Um b2b entre Alex Kassian e Job Jobse poderia reunir duas leituras sensíveis da pista, guiadas por melodias abertas, House, Trance, Progressive e momentos de euforia bem dosada. Kassian traria sua conexão com o Cosmic House, o Proto-Trance e uma sonoridade balearic, emocional e luminosa. Job Jobse entraria com sua habilidade de criar catarse a partir de escolhas acessíveis, afetivas e cheias de personalidade. Seria a construção de um set expansivo, solar e feito para aqueles momentos em que a pista inteira parece se emocionar e dançar em conjunto.

Vermelho b2b The Hacker

A união entre Vermelho e The Hacker teria força pela proximidade entre Electro, EBM, Techno, New Wave, Acid e heranças synth. Vermelho poderia trazer sua leitura ampla de pista, marcada por energia, psicodelia, aridez e uma seleção que atravessa diferentes frentes da música eletrônica. The Hacker entraria com o peso de quem ajudou a moldar o Electroclash e segue como referência para gerações ligadas ao Electro e à EBM. 

Paulete Lindacelva b2b Honey Dijon

Paulete Lindacelva e Honey Dijon fariam sentido pela maneira como as duas tratam House Music como cultura viva, não apenas como estilo. De um lado, Paulete aproxima Recife, Chicago, acidez, ritmos brasileiros e diáspora em uma pesquisa que tem ganhado cada vez mais corpo também na produção musical. Do outro, Honey Dijon carrega a escola de Chicago e Nova York com uma leitura elegante, firme e expansiva de club culture. Seria um b2b quente, de muito movimento, vocais, percussão, linhas ácidas e calor, com espaço tanto para energia, quanto para densidade.

Sally C b2b Jen Cardini

Sally C e Jen Cardini poderiam render um b2b direto, divertido e muito bem informado por diferentes fases da música eletrônica. Sally C traria a energia do House dos anos 90, Acid, Breakbeat e basslines marcantes, linguagem que também aparece em seu selo Big Saldo’s Chunkers. Jen Cardini somaria uma seleção mais voltada ao Electro, House, Indie Dance e sons sintéticos, com a experiência de quem atravessou diferentes momentos da cena europeia.

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