Existem artistas que, mesmo seguindo caminhos diferentes, parecem carregar pontos de contato capazes de gerar encontros potentes quando colocados lado a lado. Não pela obviedade da combinação, mas pela força de suas pesquisas, pela personalidade de suas escolhas e pela curiosidade de pensar como esses repertórios poderiam conversar na mesma cabine.
Às vezes, a sinergia pode estar na afinidade entre referências; em outras, no contraste entre formas diferentes de construir energia, selecionar faixas e conduzir a pista. De qualquer forma, quando existe um bom repertório dos dois lados, a chance de uma boa surpresa é praticamente certa.
Nesta seleção, imaginamos seis encontros que ainda não aconteceram, mas que poderiam render momentos especiais, reunindo aproximações sonoras, histórias distintas e leituras próprias sobre como guiar um momento. Em comum, todos carregam uma pergunta simples: e se esse b2b rolasse?
Entropia b2b Valesuchi
Aqui teríamos um baita live set entre dois artistas que tratam a pista como espaço de criação em movimento. Entropia combina House, Breakbeat, Garage, Dub Techno e Electro com referências brasileiras incorporadas à sua pesquisa. Valesuchi, figura importante da eletrônica latino-americana, somaria uma sonoridade percussiva e hipnótica, marcada por linhas sintéticas, vocais mântricos, influências decoloniais e uma energia que une emoção e memória. Juntos, poderiam criar um encontro intenso, mutante e cheio de personalidade.
Clementaum b2b Omoloko
Esse encontro quase aconteceu em 2025, encabeçado pela Madre Produtora, mas precisou ser cancelado devido a um imprevisto. De toda forma, seria uma junção entre duas grandes potências da música eletrônica brasileira atual. Clementaum trazendo sua energia explosiva, entre Funk, Techno, Vogue Beat, referências latinas e a força da música eletrônica popular brasileira. Omoloko entraria com uma curadoria refinada, capaz de aproximar House, Kwaito, brasilidades e outras pesquisas globais com sensibilidade. Juntos, poderiam criar um b2b vibrante, cheio de identidade e conduzido por duas visões firmes sobre pista, pesquisa e cultura.
Alex Kassian b2b Job Jobse
Um b2b entre Alex Kassian e Job Jobse poderia reunir duas leituras sensíveis da pista, guiadas por melodias abertas, House, Trance, Progressive e momentos de euforia bem dosada. Kassian traria sua conexão com o Cosmic House, o Proto-Trance e uma sonoridade balearic, emocional e luminosa. Job Jobse entraria com sua habilidade de criar catarse a partir de escolhas acessíveis, afetivas e cheias de personalidade. Seria a construção de um set expansivo, solar e feito para aqueles momentos em que a pista inteira parece se emocionar e dançar em conjunto.
Vermelho b2b The Hacker
A união entre Vermelho e The Hacker teria força pela proximidade entre Electro, EBM, Techno, New Wave, Acid e heranças synth. Vermelho poderia trazer sua leitura ampla de pista, marcada por energia, psicodelia, aridez e uma seleção que atravessa diferentes frentes da música eletrônica. The Hacker entraria com o peso de quem ajudou a moldar o Electroclash e segue como referência para gerações ligadas ao Electro e à EBM.
Paulete Lindacelva b2b Honey Dijon
Paulete Lindacelva e Honey Dijon fariam sentido pela maneira como as duas tratam House Music como cultura viva, não apenas como estilo. De um lado, Paulete aproxima Recife, Chicago, acidez, ritmos brasileiros e diáspora em uma pesquisa que tem ganhado cada vez mais corpo também na produção musical. Do outro, Honey Dijon carrega a escola de Chicago e Nova York com uma leitura elegante, firme e expansiva de club culture. Seria um b2b quente, de muito movimento, vocais, percussão, linhas ácidas e calor, com espaço tanto para energia, quanto para densidade.
Sally C b2b Jen Cardini
Sally C e Jen Cardini poderiam render um b2b direto, divertido e muito bem informado por diferentes fases da música eletrônica. Sally C traria a energia do House dos anos 90, Acid, Breakbeat e basslines marcantes, linguagem que também aparece em seu selo Big Saldo’s Chunkers. Jen Cardini somaria uma seleção mais voltada ao Electro, House, Indie Dance e sons sintéticos, com a experiência de quem atravessou diferentes momentos da cena europeia.