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A música conecta

6 collabs que ainda não rolaram, mas deveriam

Por Elena Beatriz em Notes 06.07.2026

No início do mês passado, publicamos um conteúdo onde imaginamos seis b2bs que ainda não aconteceram, mas poderiam render encontros potentes na cabine. Agora, ampliamos a proposta para outro espaço de criação: o que surgiria se determinados produtores dividissem o estúdio?

Nesse ambiente, afinidades, contrastes e referências deixam de ser apenas possibilidades para ganhar forma em timbres, arranjos, ritmos e decisões compartilhadas. Uma boa colaboração não nasce apenas da soma de duas assinaturas consolidadas. Ela pode revelar um caminho que nenhum dos artistas alcançaria sozinho, seja pela aproximação entre pesquisas semelhantes, seja pelo bom atrito entre métodos, repertórios e maneiras diferentes de pensar a produção de uma música.

Nesta seleção, reunimos seis colaborações que nunca aconteceram, mas deveriam. Produtores cujos trabalhos apresentam pontos de contato, lacunas complementares ou contrastes capazes de render faixas que gostaríamos de ouvir — e que, por enquanto, só existem no campo da imaginação.

Sweely e Traumer

Sweely e Traumer trabalham em regiões próximas do house e do minimal, mas chegam ao groove por caminhos diferentes. Sweely trabalha com uma produção mais solta, marcada por linhas de baixo elásticas, acordes de jazz, recortes vocais e a espontaneidade de quem desenvolveu sua linguagem também por meio de jams e apresentações ao vivo. Traumer tende a organizar esses elementos com maior contenção, explorando repetição e pequenas mudanças capazes de abraçar longos estados de hipnose. Uma colaboração poderia equilibrar o ar mais brincalhão de Sweely com a precisão de Traumer, chegando a uma faixa detalhada, imprevisível e funcional sem depender de grandes viradas.

Bicep e Overmono

Aqui não há como prever algo com absoluta certeza, e isso é o que torna a ideia dessa collab ainda mais especial. Bicep costuma ampliar a herança da cultura rave britânica com melodias emotivas, sintetizadores expansivos e arranjos que aproximam breakbeat e trance. Overmono parte de baterias mais fragmentadas, graves herdados do dubstep e do UK garage, texturas ásperas e vozes recortadas até se tornarem parte da base da faixa. A combinação poderia preservar a carga emocional dos dois projetos sem cair em uma nostalgia excessiva: música de grande alcance, mas com ritmo quebrado, tensão e estranheza suficientes para continuar ligada ao underground.

Jayda G e Cinthie

Uma faixa de Jayda G e Cinthie poderia aproximar duas produtoras que conhecem profundamente a história da house music. Jayda desenvolveu uma identidade cada vez mais aberta ao soul, ao disco, ao R&B, mantendo o calor e a comunicação direta com a pista. Cinthie possui uma abordagem mais concentrada no groove, com baterias firmes, baixos robustos e referências ao house dos anos 90, ao garage e à produção analógica. O encontro teria espaço para vocais, piano, linhas ácidas e uma base especialmente bem resolvida, conectando a sensibilidade melódica de Jayda à vanguarda de Cinthie.

ANNA e Nina Kraviz

O caminho mais previsível para uma colaboração entre ANNA e Nina Kraviz seria uma faixa de techno. O mais interessante, porém, estaria fora dessa solução. ANNA poderia trabalhar a profundidade melódica e as influências de ambient que passaram a ocupar um espaço maior em sua produção, enquanto Nina acrescentaria baterias cruas, acid, fragmentos vocais e estruturas menos comportadas. A discografia e o trabalho de Nina mostram interesse por hardcore, ambient e diferentes velocidades, enquanto ANNA já demonstrou capacidade de transitar entre faixas mais pesadas e música meditativa. Dessa combinação poderia sair uma produção hipnótica e emocional, mas também irregular, física e difícil de enquadrar.

Renato Cohen e Jex Opolis

Aqui teríamos uma colaboração entre dois produtores de muita personalidade. Renato Cohen traria décadas de experiência entre techno e house, com uma identidade única e fácil de reconhecer, marcada por inovação, consistência e uma presença forte nas pistas e no estúdio. Jex Opolis somaria sua formação como multi-instrumentista e uma pesquisa que aproxima boogie, synth funk, house, breaks, música industrial e IDM, equilibrando referências vintage e ideias futuristas. Juntos, poderiam criar uma faixa robusta, inventiva e difícil de encaixar em um único gênero, com instrumentos orgânicos, linhas sintéticas e uma energia de pista imprevisível.

The Trip e Supernova

The Trip e Supernova compartilham uma relação direta com o house e também a experiência de administrar festas e gravadoras, mas representam cenas distintas dessa história. Formado em Londres, The Trip reorganiza referências do house dos anos 90 com UK garage, progressive house, tech house e uma produção marcada por shuffle, baixos largos e certo senso de irreverência. Supernova acrescentaria a experiência de uma dupla que passou pelo formato live, trabalhou com nomes como Kevin Saunderson e DJ Pierre e desenvolveu um repertório entre house clássico, deep house, minimal e tech house. O resultado poderia recuperar vocais, órgãos, linhas de baixo e baterias encorpadas sem cair na fórmula genérica que domina parte do house atual, com uma faixa direta, divertida e tecnicamente muito bem construída.

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