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A música conecta

Mapa Sonoro | Badsista

Por Elena Beatriz em Notes 31.08.2026

Houve um tempo em que Badsista mal viajava para fora de São Paulo. Poucos anos depois, estava cruzando o mundo por meio da música. O caminho iniciado em Itaquera alcançou outros países, levando consigo experiências que, durante boa parte de sua vida, pareciam pertencer apenas à família e aos lugares que frequentava.

A música esteve presente desde a infância, entre o forró, o samba e os primeiros contatos com sintetizadores. No início, passou por bandas de rock e trabalhou como músico em bares. Mais tarde, encontrou na produção musical a autonomia para reunir instrumentos, ritmos e referências dentro de uma mesma criação.

Badsista levou essa amálgama para seus sets, lançamentos e colaborações. A naturalidade com que passa da discotecagem à produção, dos instrumentos aos vocais e do trabalho individual à criação coletiva nasce de alguém que compreendeu a arte como uma construção, na qual cada encontro pode levá-lo a uma possibilidade que talvez não alcançasse sozinho.

Em 2015, Lei Di Dai fez Badsista prometer que não voltaria a tocar em barzinhos. “Dali em diante, eu era Badsista”, mencionou. A promessa abriu espaço para que todas essas experiências encontrassem outras dimensões. Badsista passou a se movimentar pelo mundo sem deixar de carregar as pessoas, os sons e os encontros que tornaram essa viagem possível.

Este é o mapa sonoro de Badsista.

Origens

Badsista cresceu cercado por uma família de músicos. Os primos apresentaram o forró, enquanto os domingos ao lado da tia eram acompanhados por samba. Outro primo, que realizava live sets com sintetizadores desde o final dos anos 90, lhe apresentou um Juno.

Em 2012, ingressou no curso de Produção de Música Eletrônica da Universidade Anhembi Morumbi, onde reuniu a experiência com instrumentos e a produção musical ao interesse por computadores e videogames. Durante esse período, passou a publicar faixas na internet e a frequentar festas gratuitas como a Mamba Negra, onde encontrou um espaço aberto às experiências que fazia sozinho em casa.

Identidade

Ao presenciar seus sets, você pode observar uma fusão de house, techno, trance, drum and bass, hard drum e baile funk, enquanto seus lançamentos incluem referências de UK garage, dancehall, miami bass, breakbeat e trap. As facetas de DJ e produtor permitem que a identidade apareça na capacidade de encontrar novas possibilidades dentro daquilo que já domina, como quem sabe concatenar elementos diversos para formar o rumo da história que quer contar.

Fator surpresa

Badsista alcançou projeção internacional como DJ, mas a discotecagem representa apenas uma parte de sua atuação. Como produtor, por exemplo, assinou Pajubá e Trava Línguas, de Linn da Quebrada e Corpo sem Juízo, de Jup do Bairro. Além disso, suas colaborações incluem nomes como Brisa Flow, Pitty, e Elza Soares. Essa variedade também chegou ao The Town em 2023, quando dividiu um b2b com Ellen Allien e, seis dias depois, retornou com Malka, Vênus e Marina Lima para apresentar Gueto Elegance em uma formação voltada aos instrumentos e aos vocais.

Futuro

Em setembro, Badsista ocupará o Razzmatazz, em Barcelona, com quatro edições do Badsista & Friends. A programação reúne nomes como DJ 86 b2b Beibeilon e Slim Soledad, Josey Rebelle, Lechuga Zafiro, Sofy Suars, Engalanan, Anti Ribeiro e M8NSE. O projeto aprofunda a atuação de Badsista como curador, permitindo que as conexões construídas durante sua trajetória também encontrem forma diante do público.

Um trabalho para entender o artista

A gravação escolhida apresenta o álbum Gueto Elegance, lançado em 2021, em formato de show para a Rádio Na Manteiga, ao lado de Malka e Vênus. Badsista canta, toca guitarra e teclado e conduz a CDJ, permitindo observar habilidades que nem sempre aparecem em seus DJ sets. O LP acompanha diferentes momentos de uma festa, começando pela euforia e seguindo até o desejo, o cansaço e a despedida.

A MÚSICA CONECTA 2012 2026