Natural de Goiânia, Marcal se firmou como um dos principais representantes brasileiros do raw/hypnotic techno no circuito internacional. Sua pesquisa musical explora o lado mais cru e mental do gênero, com grooves densos, muitas texturas e pequenas variações rítmicas que transformam completamente uma faixa. Seu trabalho já chegou aos catálogos de gravadoras como Rekids, Uncage, Soma, Token, Enemy Records e Spazio Disponibile, o que o levou a tocar no renomado festival Awakenings e até mesmo no Berghain.
Porém, é em sua cidade natal que está uma pista que foi fundamental na sua evolução artística: a Shadow, festa da Nin92wo que há nove anos movimenta a cena underground de Goiânia. Marcal passou pela cabine desde os primeiros anos do projeto e também viveu, do outro lado dos decks, muitas das experiências musicais que influenciaram sua formação. Neste sábado, 17 de outubro, ele retorna à festa após uma sequência de apresentações internacionais e o lançamento recente do EP Four Small Escapes, pela The Third Room.
Para esta feature, convidamos Marcal a revisitar sua história com a Shadow através de cinco faixas que ajudaram a formar sua identidade musical na pista, que vão de clássicos de Luke Slater e The Advent a remixes de Rødhåd e Marcel Dettmann. Confira!
Howling — Signs (Rødhåd Remix)
Sempre gostei da atmosfera dessa faixa e da maneira como ela cria uma sensação de mistério e escuridão enquanto prende a atenção do ouvinte. É o tipo de faixa que me lembra como o techno pode ser hipnótico e emocional ao mesmo tempo.
Inigo Kennedy & Sigha — Minor Ascent
Essa faixa representa muito do que me atrai no techno: experimentação, repetição, tensão e pequenas mudanças que transformam a experiência na pista.
Planetary Assault Systems — Desert Races
Luke Slater é uma referência enorme para mim. E esta faixa não precisa de introdução, um hino da história do techno.
Luke Slater — Love (Marcel Dettmann Black Gloves Remix / City Remix)
Gosto muito das duas interpretações do Marcel Dettmann. Na versão City Remix, ele leva a música para uma direção mais profunda e melancólica, quase meditativa. Já a Black Gloves Remix tem uma abordagem mais crua e hipnótica, com uma identidade que funciona muito bem dentro de um set de techno. Além de tocá-la, ouvi essa versão inúmeras vezes na pista da Shadow.
The Advent — High Horse
Essa faixa representa o lado mais direto e físico do techno que sempre me atraiu. Gosto da energia e da maneira como funciona na pista sem precisar de muitos artifícios. Techno em sua forma mais crua.