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A música conecta

Raio X | Solomun

Por Alan Medeiros em Raio X 19.10.2026

De veteranos da pista a novos frequentadores, poucos nomes exercem uma influência tão transversal na cena eletrônica quanto Solomun. Sua figura é uma daquelas raras personalidades onipresentes da cena, um artista que sobreviveu às transformações do tempo reencontrando relevância continuamente, sempre em uma posição de protagonismo. Aos 50 anos e depois de mais de duas décadas de carreira profissional, ele continua ocupando alguns dos maiores palcos do mundo, comandando uma das residências mais tradicionais de Ibiza e, em 2026, ampliou seu catálogo através de colaborações com artistas de universos bastante diferentes.

Pouco mais de um ano após suas últimas apresentações no país, Solomun retorna ao Brasil para duas datas consecutivas. No sábado, 31 de outubro, toca na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, dividindo a programação com Vintage Culture. No domingo, 1º de novembro, segue para São Paulo, onde se apresenta no Parque Villa-Lobos. A passagem acontece logo depois do encerramento de mais uma temporada do Solomun+1 em Ibiza e em um ano simbólico para sua carreira: em 2026, a Diynamic completa duas décadas de atividade.

Muito além do remix de Around, de seu trabalho histórico ao longo dos 20 anos de Diynamic ou até mesmo dos memes, aqui temos 4 prismas que ajudam a entender quem realmente é Solomun.

Este é o Raio X do Alataj.

Solomun é POP!

Talvez o mais pop entre todos os nomes que orbitam o universo clubber. Desde que foi eleito DJ do Ano pela Mixmag em 2012, seu nome ultrapassou as barreiras do circuito especializado e passou a operar em escala global. A partir dali, sua imagem se consolidou como produto de massa: um artista com linguagem acessível, grande apelo midiático e alta capacidade de engajamento. Ele se tornou uma marca — e a banda toca diferente quando você consegue essa façanha.

Hoje, sua operação é a de um rockstar: multidões, contratos globais, palcos imensos. Solomun é mainstream em estrutura, linguagem e impacto. O que o distingue é sua habilidade em manter um discurso estético e simbólico que continua dialogando com parte do que o mundo chama de underground. Enquanto David Guetta é o representante da EDM no Pop mundial, Solomun ocupa posição semelhante, traduzindo o mainstream sob um verniz alternativo para a EDM como um todo.

Dono de seus espaços

Antes de se dedicar integralmente à música, Solomun fundou uma pequena produtora de filmes com amigos em Hamburgo. Produzindo e dirigindo curtas-metragens, desenvolveu ali uma relação com narrativa, timing e construção de ambiente que mais tarde também apareceria em sua vida musical. Mas foi também ali que emergiu seu senso de iniciativa: em vez de buscar espaços, ele os criou.

A fundação da Diynamic, em 2006, transformou essa característica em parte central de sua carreira. Gravadora, showcases, artistas e festas passaram a formar uma rede que ajudou Solomun a desenvolver sua música sem depender exclusivamente das plataformas de outros nomes da cena. Vinte anos depois, a Diynamic continua ativa, enquanto o Solomun+1 completou mais uma temporada no Pacha Ibiza em 2026. 

Sua trajetória cresceu cercada por espaços que ele próprio ajudou a criar, organizar ou transformar.

Expressividade como linguagem

Solomun é uma figura expressiva. Mesmo com poucas entrevistas e um discurso público discreto, ele sempre encontrou formas de se comunicar — seja através da postura nos palcos, da construção emocional de seus sets ou da iconografia que envolve sua imagem. Mas existe também uma outra camada de expressão: a que se manifesta nas parcerias que ele escolhe e nos encontros que promove em pista.

Em 2026, passaram pela residência do Solomun+1 artistas como Skrillex, Jamie xx, Peggy Gou, Anyma, Dixon, Max Styler, Barry Can’t Swim, Kettama e Âme, além de nomes ainda mais distantes entre si musicalmente. Ao cruzar caminhos com artistas de diferentes linguagens e públicos, Solomun reforça sua centralidade na cena e mostra que sua comunicação, mais do que verbal, é feita por aproximação: ele se conecta onde e com quem quiser.

Soft Power Territorial

A relação de Solomun com diferentes mercados começou a ser construída muito antes de sua agenda atingir o tamanho atual. Em 2013, por exemplo, realizou uma extensa passagem pela América do Sul, incluindo apresentações no Peru, Chile, Argentina e Brasil. Dois anos depois, voltou acompanhado pela Diynamic, antecipando-se a outras marcas e gravadoras contemporâneas na exploração de cenas emergentes.

Isso revela um tipo específico de inteligência geográfica: mais do que reagir a demandas, Solomun as antecipa e consolida sua influência sobre elas. No campo da geopolítica cultural, fala-se em “soft power territorial” — a capacidade de influenciar sem impor, por meio de posicionamentos simbólicos em regiões-chave. 

Sua residência no Pacha, em Ibiza, é mais um exemplo mais emblemático disso: ao reformular a experiência do club com o projeto Solomun+1, ele construiu tendências que foram determinantes nas temporadas seguintes. 

Dominar um território, nesse contexto, não é apenas estar nele — é conseguir moldar sua linguagem. E nisso, Solomun sempre foi cirúrgico.

A MÚSICA CONECTA 2012 2026