Entrevistas
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Alataj entrevista Red Axes

*Foto por Ben Palhov

Uma das vertentes que tem ganhado grande força no cenário da música eletrônica mundial, sobretudo nos últimos anos, é o Indie Dance, uma mistura de música eletrônica com elementos do Punk, Indie e Rock, e que é muito bem representada pela dupla israelense Red Axes

Formado por Dori Sadovnik e Niv Arzi, o projeto derivou da extinta banda de New Wave e Pós Punk Red Cotton, e hoje absorve suas raízes musicais através de um blend de sintetizadores modernos e batidas robustas que encantam as mais diversas pistas do mundo, sobretudo os palcos brasileiros por meio de suas apresentações em Live Acts e dj sets. Com produções que assinam uma estética fora da curva e que emplacaram os catálogos das gigantes K7 Records, Rebirth, Multi Culti, Voltaire Music e Disco Halal, incluindo as poderosas colaborações com o cantor e produtor brasileiro Abrão, Red Axes mostra que a cultura da Dance Music vai muito além das fronteiras sonoras que podemos imaginar. 

Nossa editora Karina Schaefer teve a honra de bater um papo com eles para conhecer um pouco mais sobre as referências da dupla, processos criativos, detalhes dos últimos lançamentos e a retomada de eventos em Israel. Confira!  

Alataj: Olá, Niv e Dori! Como estão? É um prazer enorme conversar com vocês. Vocês se conheceram ainda na adolescência e na época montaram o projeto Red Cotton. Mas foi depois que a banda acabou e vocês fizeram uma tour pela Europa que encontraram os beats eletrônicos. Como foi essa descoberta? Como vocês incorporaram a música eletrônica às suas referências 80tistas e de Rock?

Niv: Olá, as coisas vão muito bem, obrigado por perguntar. O Red Cotton se desfez após a grande viagem à Europa, em Amsterdã, lá estávamos explorando mais a cultura do Dance e da música. A música eletrônica que a gente cresceu estava mais na área Industrial e New Wave, que tem muitas referências punky. Acho que a ideia era trazer uma mistura desses dois mundos e, no final, isso se baseava em nossa pesquisa e influências musicais, coisas como a cultura de Manchester ou o som do falecido Andrew Weatherall, por exemplo. Pessoas misturavam o Dance com a cultura rave, o Punk e Rock alternativo por muitos anos, então nós apenas sentimos que teríamos que compartilhar a nossa visão com o resto do mundo.

Eu conheci Red Axes em um live com Abrão, numa apresentação no Warung Beach Club e foi uma noite mágica, aliás, obrigada por isso. Como aconteceu o encontro entre vocês e o processo criativo?

[Risos] Muito bom ouvir isso! Nos divertimos muito por lá, esse lugar é lindo! Foi muito emocionante e uma experiência mágica pra gente também, principalmente porque foi a primeira turnê que fizemos no Brasil com o Abrão, sentindo a energia do vocal dele em uma situação em que a multidão entendia o idioma. Foi coisa de outro mundo para todos nós. Momentos muito cósmicos.

Nós o conhecemos há muito tempo, por volta de 2005, ele estava trabalhando com a banda, planejou nosso único álbum e nos apoiou muito. Mas foi apenas em 2012 que começamos a colaborar com ele como cantor. O processo de trabalho sempre foi uma espécie de pingue-pongue, mandamos um playback e ele mandou de volta um vocal por cima, depois algumas mixagens e edições e terminamos.

Vocês acompanham a cultura musical brasileira? Algum outro artista, além de Abrão, chama a atenção de vocês?

Sim, sou um grande fã do movimento Tropicalia, são tantos grandes artistas. Esse movimento também teve um grande impacto na cultura musical israelense também no final dos anos 70 e 80. O samba sempre esteve lá em segundo plano. Além disso, meu pai é um grande fã da seleção brasileira de futebol, ele nasceu no mesmo dia em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo em 58.

Vocês estão em Israel e as notícias que nos chegam é que o país já vacinou mais da metade de sua população. Isso quer dizer que as coisas estão “voltando ao normal” por aí? Como vocês estão mantendo a criatividade e produtividade neste momento tão delicado?

Eu não quero agourar, mas a situação está melhorando, os números estão melhorando e as coisas estão reabrindo devagar novamente. Acho que essa pandemia, com toda a tragédia e tristeza que gerou, modificou diversos aspectos do mundo como nós o conhecíamos. A pandemia pode me dar a chance de ver as coisas de forma diferente e, no meu caso pessoal, me colocou em um lugar mais fundamentado e rotineiro, perto da minha família e dos meus amigos. Sinto-me criativo, explorando e criando músicas que me entusiasmam. 

Ficamos bem longe um do outro a maior parte do ano porque Dori estava no exterior, mas continuamos mandando músicas e ideias um para o outro e, com sorte, em breve, estaremos juntos novamente preparando todas essas ideias em um grande e delicioso prato de Red Axes.

Israel e, especialmente, Tel Aviv têm uma cultura ampla e muito viva. Como vocês descreveriam a cultura do dance floor daí e o que a torna tão especial?

A cultura da pista de dança aqui está evoluindo e mudando. Existem certos efeitos que levam a uma grande e forte explosão nesta área nos últimos anos. Não é nenhum segredo que a cultura do Dance era muito popular e fervilhava em quase todos os lugares do mundo antes da pandemia, mas como parte disso eu acho que tipicamente em Tel Aviv, há uma forte necessidade de liberar todo o estresse por aqui e desfrutar de uma festa. A vida noturna estava viva e forte todos os dias na semana anterior a toda essa situação do corona.

Voltando um pouco nas referências do Red Axes, queria abrir um ponto de discussão aqui. Por toda a internet encontramos artigos que falam sobre a morte do gênero. Um da Vice em específico fala que o Rock parece ter morrido para a indústria, mas quanto mais ele se afasta do mainstream, mais ele atrai “weirdos” e visionários. Para vocês, qual o futuro do Rock?

Eu espero que músicos e artistas encontrem a plataforma e o suporte para fazer o que eles gostam e acreditam. Eu nunca diria que o Rock ’n Roll está morto porque o Rock ‘n Roll é uma energia muito forte e fresca que sai de muitos lugares diferentes. Eu sei que aquele Rock como o “vamos ter uma banda” não é um bom negócio nos últimos anos, o mundo está mudando agora vamos ver o que isso vai trazer…

Só precisamos lembrar do fato de que os “weirdos” e visionários sempre mudam e causam o maior impacto no mundo da arte, então se eles gostarem de Rock estaremos bem.

Vamos falar sobre suas produções audiovisuais. Em sua maioria elas beiram o surreal e quase flertam com o lisérgico. Como é o processo criativo desses vídeos?

O processo começa trabalhando com artistas de quem gostamos, o que nos dá inspiração.

Eu acho que se você gosta de uma ideia de colaboração artística, você deve estar sempre aberto, mas também confiar na mente artística do outro. Nós nos inspiramos em tantas coisas e abrir essa porta juntos com confiança e apoio pode levar a resultados verdadeiros e lindos. E para ser específico sobre nós, acho que gostamos da estética surreal em geral.

Os EPs da série Trips são cheios de emoção. Como surgiu a ideia dessa série? Por que esses lugares em especial (Índia, Vietnã e África)? Além dos encontros sonoros, o que mais vocês tiraram dessas viagens?

Tudo começou depois de recebermos uma oferta para tocar um DJ Set na Costa do Marfim. Isso nos deu uma ideia de ir até lá e explorar mais da região e tentar colaborar com artistas locais. Tudo isso contribuiu para a ideia do #TRIPS em que estávamos gravando novas músicas com músicos locais, fazendo workshops com crianças em escolas de música e explorando uma nova gama de influência que no final leva a um episódio e que a receita disso volta para a comunidade local. Mais ou menos a mesma coisa aconteceu com a Índia e o Vietnã.

Uma das partes que mais me tocou no video do Trips #1: África foi a jam com os alunos de uma escola que vocês visitaram. Contem um pouco mais sobre essa experiência. 

Foi muito tocante mesmo. Como mencionei, parte da viagem é fazer um workshop em escolas de música e conhecer as crianças, fomos ver a escola de música Insaac em Abidjan, e nos apaixonamos pelo ambiente e pelas pessoas, pelas crianças e pelos professores dali que são muito especiais. Você pode realmente sentir a música fluindo em seu sangue. Nós tocamos juntos na oficina de música e os deixamos se encontrar e brincar com nosso equipamento e foi natural e emocionante, você pode ver o resultado e sentir mais a vibe no vídeo abaixo.

Em um post no Facebook vocês contam como conheceram Pad, que fez os vocais da faixa Pad Yoga Raga no EP Trips #3 – India. O encontro com ele foi realmente ao acaso? Outras colaborações surgiram da mesma forma?

Foi muito aleatório, mas emocionante e inspirador. Passamos uns dias em Goa à procura de algo para gravar, porque não estava nada preparado para esta parte da viagem e, felizmente, vimos esse cara especial tocando com o seu harmonium na praia.

Mais tarde, nos encontramos em sua casa, gravamos e passamos um tempo ouvindo suas histórias únicas e ideias de vida. Não tivemos outra collab como essa, não.

Ainda sobre a série: teremos o Trips #4? Se sim, qual o destino? 

Estávamos falando bastante sobre isso, mas nada definido ainda. Vamos mantendo em aberto até a próxima 😉

Para fechar, uma clássica do Alataj: o que a música representa para vocês?

Eu vejo a música como uma ferramenta para tocar e curar a própria mente e a própria alma e, com sorte, também a dos outros.

A música conecta.

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