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A música conecta

6 artistas que tiveram uma mudança sonora radical em suas carreiras

Por Elena Beatriz em Notes 10.03.2026

Na música eletrônica, raramente uma carreira se desenvolve de forma linear. Apesar disso, existe uma expectativa recorrente de que artistas desenvolvam uma identidade estável ao longo de toda a carreira, como se escolher um estilo — Techno, House, Trance, Drum & Bass ou qualquer outro — significasse também permanecer dentro dele indefinidamente. Na prática, ocorre justamente o contrário. 

A trajetória de muitos DJs e produtores é marcada por novas descobertas, perspectivas, experimentações e momentos de virada que redefinem completamente a forma como seu trabalho passa a ser percebido. Nesse cenário, mudanças de direção sonora não são apenas comuns — muitas vezes fazem parte do próprio amadurecimento artístico.

Isso nem sempre faz parte de estratégias calculadas. Muitas vezes surgem do contato constante com novas pistas, novos contextos e diferentes comunidades musicais. Um artista pode começar profundamente ligado a uma cena específica, construir reconhecimento naquele ambiente e, em determinado momento, sentir que aquela estética já não traduz mais suas referências ou possibilidades criativas.

Quando isso acontece, a mudança pode representar muito mais do que uma simples troca de estilo. Em alguns casos, ela abre novas possibilidades de assinatura; em outros, amplia o alcance do trabalho e reposiciona o artista dentro da própria cena. Os exemplos a seguir mostram como essas viradas — algumas discretas, outras bastante evidentes — podem se tornar momentos decisivos na trajetória de um artista, abrindo novos caminhos e redefinindo o rumo de suas carreiras.

Peggy Gou

A DJ e produtora sul-coreana Peggy Gou iniciou sua trajetória na cena europeia transitando entre sets de Techno e Deep House, contexto em que também surgiram seus primeiros lançamentos. Faixas como Hungboo (2016) refletem essa fase inicial, mais alinhada ao espectro underground da pista.

Com o passar dos anos, no entanto, sua produção começou a apontar para outra direção. EPs como Once (2018) e Moment (2019) marcaram uma mudança clara em sua assinatura, enfatizando um lado mais melódico e acessível da House Music, fortemente influenciada pela Disco e por estruturas pop — com pianos marcantes, vocais e estrutura groovada. Essa virada ampliou sua projeção global, transformando-a em uma das DJs mais populares da última década.

Badsista

O DJ e produtor paulistano BADSISTA começou a ganhar destaque dentro da cena urbana de São Paulo com produções ligadas ao Baile Funk e ao Trap, muitas vezes explorando uma vertente mais lenta e atmosférica que ficou conhecida como Chill Baile, a exemplo de faixas como Esperando o Verão.

Ao decorrer do tempo, passou a se expandir para outros territórios da música eletrônica. Sem abandonar suas raízes, BADSISTA começou a incorporar de maneira cada vez mais evidente elementos de House, Techno e Trance, aproximando sua sonoridade da cultura de pista internacional, o que ajudou a posicioná-lo como um dos principais nomes de uma geração de artistas que vêm redefinindo o que muitos passaram a chamar de Música Eletrônica Popular Brasileira.

Four Tet

O produtor britânico Kieran Hebden é um exemplo claro de artista que mudou de direção dentro da própria música eletrônica e encontrou um novo momento na carreira. No início, seu trabalho estava ligado à Folktronica e ao IDM, com discos como Rounds (2003) e faixas como She Moves She. Não demorou muito para que Hebden se aproximasse cada vez mais do universo da pista de dança, movimento que ficou evidente em lançamentos como Sing (2010) ou Pyramid (2012).

Paralelamente, sua intensa trajetória produzindo remixes também ajudou a ampliar sua presença na cena eletrônica. Hebden produziu versões para artistas como Radiohead, The xx, Bonobo e Nathan Fake, além de colaborar em projetos com nomes como Burial e Thom Yorke, reforçando sua conexão com diferentes núcleos da música eletrônica e experimental. Hoje, Four Tet transita entre clubs, festivais e colaborações com artistas como Skrillex e Fred Again, ocupando um espaço que já dialoga com um público mainstream.

Joyce Muniz

No início dos anos 2000, ainda entre o Brasil e a Áustria, seus sets estavam fortemente ligados ao Drum & Bass, estilo que marcou sua formação como DJ. Com o tempo, porém, Joyce passou a se aproximar cada vez mais da House Music, que acabou se tornando o foco de sua identidade sonora.

Essa mudança coincidiu com o momento em que sua carreira começou a ganhar projeção internacional. A partir daí, Joyce passou a lançar por gravadoras como Kompakt, Exploited e Get Physical, além de se apresentar com frequência em clubes e festivais de ponta na Europa.

Cinthie

A DJ e produtora alemã iniciou sua trajetória no fim dos anos 90 lançando produções ligadas ao Electro e ao Techno sob o alias Vinyl Princess, com releases por selos como Low Spirit — bastante ativo na cena rave alemã daquele período, refletindo o ambiente da música eletrônica que dominava pistas na Alemanha no início dos anos 2000 —, e Electric Kingdown, com faixas como Nice Tits (2002).

Nos anos seguintes, porém, sua identidade passou a seguir outro caminho. Cinthie passou a se dedicar cada vez mais à House Music de inspiração clássica, fortemente influenciada pelo legado de Chicago e Nova York. Faixas como Mesmerizing e Deep Inside Love exemplificam essa fase, marcada por grooves quentes, pianos e estética analógica. A mudança também coincidiu com a criação de projetos como a loja Elevate e o selo 803 Crystal Grooves, consolidando seu nome como uma das figuras mais influentes da House contemporânea.

DJ Tennis

Conhecido tanto como DJ quanto como fundador da gravadora Life and Death, DJ Tennis construiu sua trajetória dentro da cena eletrônica com produções inicialmente associadas a um Techno mais melódico, presente em faixas como Divisions, refletindo um período em que suas produções estavam mais próximas do Techno circulava no circuito underground do início dos anos 2010.

Com o avanço de sua carreira — e também com o amadurecimento artístico da própria Life and Death — suas produções passaram a refletir outra proposta. Trabalhos como Atlanta e Certain Angles mostram uma aproximação maior com o House, marcada por vocais e atmosferas mais emotivas.

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