Opinião | Os novos nomes do house estão saindo do house

Há mais ou menos 5 anos, a dance music global se rendeu a uma nova geração de artistas da house music. Nomes como Mall Grab, Denis Sulta, Brame & Hamo, Ross From Friends, DJ Boring, Baltra, Harrison BDP e DJ Seinfeld acertaram em cheio a indústria com uma abordagem inovadora, flertando diretamente com referências do old school ao mesmo tempo que incorporava uma estética lo-fi logo abonada por muitos desses artistas.

O tempo passou, a internet deu voz e poder para esses artistas, surgiu o interesse de grandes gravadoras em assiná-los e finalmente eles passaram a ocupar um merecido espaço no alto escalão dos clubs e festivais mundo a fora. Se você imaginava que uma evolução sonora os manteria na house music, sinto informar que não é possível afirmar isso com plena convicção. De uma forma geral, esta cena evoluiu musicalmente, ganhou mais qualidade em seus releases, vingou do ponto de vista comercial, mas adotou um perfil mais intenso e enérgico em seus releases.

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Mall Grab, por exemplo, tem flertado diretamente com o techno e dado pistas que assim seguirá. Reconnaissance, uma das faixas de seu último release, carrega uma atmosfera agressiva e bem mais “maldosa” do Liverpool Street in The Rain e Pool Party Music, por exemplo.

Denis Sulta tem um dos acts mais procurados entre os artistas desta geração e nas suas gigs toca uma mistura de house, tech house e até mesmo techno, mantendo de uma forma geral sua assinatura inicial. Em seu caso específico, ainda vale ressaltar um hiato que já dura quase dois anos desde o seu último release.

A dupla irlandesa Brame & Hamo se transformou em um sucesso absoluto no Spotify. Boa parte dos últimos EPs foi lançado de forma independente, apostando em um perfil sonoro que se distancia bastante dos primeiros releases pela Dirt Crew e Heist, quando eles apostavam em algo mais purista e próximo ao house.

O projeto Ross From Friends se mantém relativamente próximo do seu ponto de partida original, mas ganhou uma levada indie no live act e ampliou bastante a gama de atuação do DJ set, indo atualmente do house ao techno. Eu estive presente na gig de Porto Alegre em sua debut tour no Brasil e posso garantir que o set foi bom, extremamente consistente e bem construído, mas não se tratava de house music naquele domingo.

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Poderíamos seguir aqui citando os exemplos de Or:la, DJ Boring, Baltra e outros, porém, é mais válido ressaltar que esta mudança é até certo ponto natural se levarmos em consideração que os primeiros releases desses artistas foram produzidos em um período onde eles tocavam pouco ou quase nada.

Agora, com a responsabilidade de comandar grandes pistas a necessidade por um som com um pouco mais de pressão aumenta. Com isso, algo no estilo letfield entre o house e o techno deve ser a opção escolhida por muitos. E quanto a cena house? Ela está se reinventando sempre, numa velocidade que muitas vezes mal podemos acompanhar. Em 2019, alguns dos artistas em alta incluem Stanccione, norus, Mangabey, Felipe Gordon e Ricky Razu, esses sim tocando e produzindo algo muito mais enraizado dentro do estilo.

A música conecta.

+++ Amtrac falou conosco e ainda fez uma seleção bem especial no Spotify, ouça aqui!