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Alataj entrevista Timo Maas

São 38 anos de carreira, produções e hits que ecoam nas pistas de dança de todo o mundo, apresentações de alto nível, trabalho consistente através de sua gravadora e acima de tudo uma grande contribuição para o cenário da música eletrônica em toda a sua trajetória. De remixes aclamados para artistas como Depeche Mode e Fatboy Slim, residência no Circoloco no DC10 em Ibiza a lançamentos em labels como Connaisseur, Cocoon Recordings e My Favorit Robot Records, Timo Maas é um artista merecidamente reconhecido e faz jus ao respeito de seus colegas de profissão e do público que o prestigia.

Ele também faz parte de um grande momento do nosso cenário brasileiro. Foi ele quem estreou a cabine do Warung Beach Club na noite da abertura em 2002, dando o pontapé inicial em uma história que muitos de nós participamos até hoje. Capaz de atravessar gerações no mundo da música, Timo Maas se mantém sólido em todas as frentes em que atua e segue mais ativo do que nunca, mesmo em um momento de pausa no entretenimento. Prova disso é o lançamento do seu novo single com dois remixes da faixa Utopie, produzida em colaboração com o vocalista Rottler e que sai pela Stripped Down Records no dia 19 de junho e também sua participação no live stream em parceria com o AME CLUB na quinta-feira (4). 

Nós tivemos o prazer de bater um papo com esse grande artista e o resultado você confere abaixo:

Alataj: Olá Timo, tudo bem? É uma honra poder conversar com você! São mais de três décadas de contribuição para a música eletrônica entre produções aclamadas, impulsionamento de grandes artistas pela sua gravadora e influenciador da boa música pelo mundo. Olhando para sua história, você tem ideia da importância do seu trabalho para o crescimento do cenário?

Timo Maas: Eu já aprecio totalmente sua pergunta … acho que do lado de fora é melhor avaliar o que fiz, mas acho que me renovo ao longo do tempo e ainda gosto de fazer isso!

Você é autor de grandes hits da pista de dança, desde produções originais até remix que atravessam gerações em todos os anos de carreira, álbuns, singles e EPs que foram lhe trazendo um grande amadurecimento enquanto produtor. É possível você fazer um paralelo entre suas produções de anos atrás e o que você produz hoje? Existe alguma característica sonora que você busca manter em todos esses anos?

Obviamente. Trabalhei com diferentes produtores / parceiros / engenheiros ao longo dos anos e também o som em geral mudou. Ainda tentei manter uma espécie de marca registrada ao longo do tempo. Gosto de chamar um desses sentimentos em vez de sons, no caso “agridoce e melancólico”.

Você lançará seu novo single Utopie em parceria com Rottler pela Stripped Down Records, uma track com uma linha sóbria e melódica, mas muito elegante, ao nosso ver. Como se deu o processo de criação dessa música e a colaboração?

Tudo veio organicamente e juntos. Eu estava produzindo novas faixas com Mark Ulrich (também conhecido como 2Pole) que mora perto de mim. Trabalhamos juntos há muitos anos, principalmente no lado clubber das coisas. Depois de desenvolver essa faixa, tentamos alguns vocais. Christian Rottler gravou para mim uma faixa completamente diferente em que eu estava trabalhando na época. Rottler é um bom amigo de um dos meus amigos e consultores e é bem conhecido por seu estilo “Klaus Kinski” de palavras, então pegamos algumas partes em uma longa sessão vocal, juntamos com algumas percepções sonoras diferente e todos adoramos o resultado, realmente.

A track também recebeu dois remixes de Digital 21 & Stefan Olsdal e também Joe Metzenmacher & Borka & The Gang. Escolher artistas para fazer um remix é algo que consideramos interessante e nem sempre fácil. Como aconteceu essa escolha? Qual a sua visão sobre essas duas versões apresentadas?

Eu tenho um relacionamento duradouro e amigável com Brian e Stefan, da infame banda Placebo, com muitas colaborações e remixes. Depois de remixar pela segunda vez o projeto paralelo de Stefan com o Digital 21, os caras simplesmente me perguntaram se eu gostaria que eles dessem uma adaptada a uma das minhas faixas. Enviei a eles o Utopie e, como eu imaginava, eles entenderam muito bem as melodias. O resto, uma surpresa! Eu estou impressionado com o resultado. A interpretação deles é simplesmente épica, não brega, ótima música para o club e com um apelo pop legal. Eu estou realmente muito feliz e orgulhoso com a faixa e também feliz que deu certo! Joe e Borka são amigos e colegas que lançaram algum material original de destaque nos últimos dois anos, já lançado no Cocoon e com sua própria marca HEIDETON. Eles entregaram um remix clubby legal e também um lado elegante da música underground. Também aqui estou muito feliz, pois simplesmente atinge a vibe de hoje em dia. Os dois remixes são muito tocáveis ​​e uma ótima alternativa à minha faixa original.

Você também é fundador da gravadora Rockets & Ponies, que já lançou faixas de artistas aclamados no mundo todo. Como acontece o processo de curadoria do label? Como você administra essa função em meio a tours, gigs e produção?

Eu nunca vi o R&P como um projeto comercial ou algo assim. Eu sempre lancei apenas a música que eu gosto e que acho muito especial e única. Quando não há nada que eu goste de lançar, simplesmente não faço. Chamo de meu pequeno playground musical sofisticado. Uma plataforma para aberrações e sons esquisitos 😉

O Brasil possui uma relação muito carinhosa contigo. Você já nos presenteou com grandes sets, além de ser um dos artistas que deu o pontapé inicial em movimentos de clubs que hoje são referência no mundo todo. Como é pra você essa relação? Tem algum momento especial no Brasil que você guarda com carinho?

Obviamente, eu tive vários ótimos momentos no Brasil. Eu amo as pessoas e o país. Eu acho que o momento foi realmente a honra de abrir o lendário Warung Club em 2002. Eu toquei a primeira festa lá com meu bom amigo Loco Dice e ainda até hoje foi uma experiência tão incrível em uma selva, sou eternamente grato!!! Espero poder voltar em breve e espalhar minha magia negra 😉

Impossível não citarmos o momento que estamos vivendo no mundo todo. O Coronavírus obrigou os artistas a ficarem em casa e levou à reflexão do seu trabalho e até mesmo de cada um enquanto ser humano. Alguns foram capazes de transformar esse tempo em criatividade e outros estão tirando esse período para descanso. Como você está passando por tudo isso? Quais as mudanças que você acha que ocorrerão pós-pandemia?

É uma pergunta muito complexa. Tenho mais de 25 anos de experiência profissional e tocando música como DJ estou no meu 38º ano. Nunca tive uma situação como essa, onde tudo sai do meu controle e tenho que lidar com uma nova vida sem ser capaz de ter muito controle sobre isso, seja financeiramente, mentalmente ou de qualquer outra maneira. É um caminho difícil no momento. Tive, especialmente nas primeiras semanas, muito medo e insegurança. Alguns meses depois recuperei minha positividade, trabalhei duro em novas músicas, conceitos, conversei bastante com as pessoas, também fora do ramo da música. Estou ansioso pelo que será o novo “normal”. Isso ainda será definido, impossível saber agora. Tudo que eu falar seria algum tipo de previsão de “bola de cristal”, que muda semana a semana. Enquanto eu / nós permanecermos com a mente aberta, positiva e criativa, tudo ficará bem. E se tudo mais falhar, eu ainda sou um bom chef, então a opção de abrir um restaurante ainda está de pé.

Ainda sobre esse assunto, a falta de contato entre os artistas e o público levaram o mundo todo a uma conexão através da internet, mais especificamente por live streams, que infelizmente não substitui uma pista de dança, mas mantém a música acesa e conecta pessoas do mundo inteiro. Como você enxerga isso? 

É claro que não substitui a interação em um clube ou evento, mas ainda é um desafio e um contato com o “mundo exterior”. Por aqui estou tentando manter minhas aparições diversificadas, se é a seleção de música ou a configuração da gravação ou a mensagem por trás dela! Espero ainda poder “tocar” meus fãs, pois essa é a mensagem mais importante de mim na minha profissão.

Apesar deste momento, você vive uma rotina intensa de viagens pelo mundo, gigs em diferentes pistas, a própria administração do label e tantas outras funções que exerce. Tudo isso exige um equilíbrio mental e físico para que você possa se manter firme dentro do que propõe em sua profissão. Como você busca esse balanço em sua vida? Tem algum detalhe que acredite ser imprescindível neste processo?

O amor pelo que eu faço é a força essencial por trás disso tudo. Estou sempre cuidando de mim mesmo, corpo e mente. Não bebo mais há alguns anos e SIM, tem que haver muita rotina também. Coisas que faço diariamente pode parecer estranho ou difícil para outras pessoas, mas todos sabemos que você se acostuma a tudo, desde que seu estado mental esteja correto! 😉

Muitos leitores que estão lendo esta entrevista buscam seu lugar dentro do cenário e te vêem como uma grande referência por seu trabalho desempenhado ao longo dos anos. Se você tivesse um conselho que pudesse dar a eles, qual seria? E ao Timo Maas de 30 anos atrás, qual conselho você daria?

Eu sempre digo: seja ORIGINAL, não copie mais ninguém. Sim, seja influenciado, mas NUNCA copie. Seja corajoso ao tentar coisas novas e, o mais importante, adore o que você faz. Os caras “eu quero ser um DJ, pegar todas as garotas, ganhar dinheiro e beber horrores”… foda-se esses caras. Mais cedo ou mais tarde a vida e o karma vão chutar a  bunda deles!!

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

Basicamente tudo. A música é e sempre foi minha língua para me comunicar com o “mundo exterior”. Sou realmente uma pessoa introvertida, mas com a música sempre fui capaz de me expressar e quero e continuarei assim !

Grande amor do “lobo cinzento” 🙂 beijos!

A música conecta.