Yotam Avni Yotam Avni Yotam Avni Yotam Avni Yotam Avni
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Alataj entrevista Yotam Avni

Se você é apaixonado por Techno saiba que este artista que entrevistamos é um dos artistas favoritos do seu artista preferido. Deu pra entender? A gente explica. Nos últimos anos, Yotam Avni apresentou um trabalho impressionante, release após release, e é considerado um dos produtores mais proeminentes desde que ingressou no cenário eletrônico. Suas criações estão constantemente nos cases dos maiores nomes do Techno em nível global por sua roupagem experimental, mas quase sempre relacionada ao Techno Detroit – e uma coleção de hits para a pista de dança.

Mas ele não se contenta com as batidas mais intensas e também é destaque entre as figuras da House Music, provando que simplesmente é capaz de tudo, ou quase tudo, dentro do universo da música. Isso também se estende em sua capacidade como DJ, transitando entre o House mais clássico e um Techno imponente com facilidade. Uma de suas características mais peculiares é a inserção de suas raízes culturais nas produções. Avni nasceu em Tel-Aviv e não raramente percebemos claramente elementos e vocais que remetem diretamente às sonoridades orientais.

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O trabalho de Yotam está espalhado entre gravadoras que você também admira. Innervisions, Ovun Rercordings, Hotflush Recordings, Watergate Records e Stroboscopic Artefacts estão entre os selos que já lançaram suas faixas. O artista ainda tem o apoio de lendas como Josh Wink, Laurent Garnier, Derrick May e Ben Klock, e até dos melhores nomes do House como Phill Weeks e Osunlade. Agora, após inúmeras faixas e EPs, Yotam Avni apresenta o primeiro álbum de sua carreira pela Kompakt, com 11 tracks que demonstram sua facilidade de combinar sensibilidade lírica e sentimental com elementos propulsores de uma super pista de dança. O lançamento acontece nesta sexta (29) e já está disponível para pré-order.

O Atalaj teve o prazer de receber este grande artista para uma conversa. Confira:

Alataj: Olá Yotam, tudo bem? É uma honra ter você com a gente! Quase uma década apresentando um trabalho consistente com suas produções que passeiam do House ao Techno Detroit às sonoridades mais experimentais com maestria. Ao que você deve sua capacidade criativa tão abrangente no universo da música?

Yotam Avni: Muito obrigado! Já faz um tempo desde que comecei a lançar músicas; é legal da sua parte perceber isso. Eu acho que a música eletrônica em todos os seus subgêneros é a trilha sonora da minha vida. Comecei a seguir a cena aos 14 anos e agora tenho 32 anos. Eu acho que muitos produtores tentam gêneros diferentes em momentos diferentes. Você tenta no começo parecer outros artistas que você gosta como uma espécie de prática, mas eventualmente essas são faixas que você acaba lançando. Para mim, é provavelmente Carl Craig e Deep Dish que eu mais me inclino no meu trabalho, mas agora estou descobrindo que adicionar o tempero de música oriental e mundial é um motivo pelo qual eu gostaria de ser conhecido.

Você se destaca por apresentar criações excelentes desde o início da carreira como produtor e, assim como acontece com o vinho, os anos só te fizeram muito bem! Como você avalia sua evolução enquanto produtor ao longo desses anos? Existe alguma característica musical que carrega desde o início do seu trabalho?

Obrigado novamente, isso é muito gentil da sua parte! Na verdade, passo muito tempo construindo minhas tracks até seus elementos principais. Não produzo efeitos modernos de white-noise, algo que possa parecer desatualizado em tempos futuros. As faixas que eu mais gosto como DJ são geralmente de Dennis Ferrer, Ame & Carl Craig. Eu posso tocar faixas que eles lançaram há 10 anos e ainda funcionam. É isso que eu quero para minhas faixas também.

Você é considerado um herói em Tel-Aviv não apenas por seu trabalho enquanto artista mas também através da festa AVADON, considerada uma das melhores de Techno da capital israelense. Conte-nos um pouco sobre essa experiência enquanto produtor de eventos. Isso de alguma forma influencia no seu trabalho enquanto produtor de música?

Estávamos fazendo pequenas festas underground há cinco anos. Eu era conhecido como DJ e produtor de House até então, e este era o espaço ideal para experimentar esta onda sonora de Berghain. Ao realizar as festas da AVADON conheci Steve Rachmad, Lucy, Dustin Zahn e outros grandes amigos que me incentivaram a lançar faixas em seus selos. Tel-Aviv teve seus altos e baixos em termos de cena e sua música. Estes são ótimos tempos. Nunca antes tivemos tanto talento em Techno e House. Estou muito orgulhoso.

Percussões marcantes, House clássico, Jazz, influências de suas raízes e uma forte tendência ao Detroit Techno – além do característico bassline poderoso -, tornam suas faixas certeiras nas mais diversas pista de dança e que recebem o apoio de lendas da música em todos os estilos. Essa diversidade com certeza se deve a outros artistas que te impulsionaram ao longo da sua carreira. Consegue nos citar alguns? Algum artista em que você sonha trabalhar?

Sou um grande fã de registros de ECM. Gravadora de música mundial e jazz, que atualmente é um fundo de músicos israelenses. Meu maior sonho seria remixar algo oficial para eles.

Você lança agora seu debut álbum pela gigante Kompakt e, assim como para qualquer artista, o primeiro álbum tem um gosto muito especial. Como se deu a criação desse projeto? Aconteceu a partir de um planejamento em sua carreira ou simplesmente foi algo natural?

Eu venho lançando singles há muitos anos, como você disse, e nunca pensei em fazer um álbum. Eu andei pulando em diferentes gêneros, então talvez seja por isso que eu não estava pronto. Como você disse, o Kompakt é uma grande gravadora e eu pensei que 2020 seria um bom ano para trabalhar mais profundamente. Também me deu um quadro musical para seguir. Como Kompakt, ao contrário de Innervisions, é menos sobre percussões tribais, mas muito mais sobre Experimental. Então senti que poderia ser um bom desafio para mim artisticamente, em diferentes ritmos e modos.

As faixas do álbum demonstram uma combinação harmoniosa entre linhas de grave propulsoras para a pista de dança e elementos sensíveis através de instrumentos como o trompete e vocais suaves, além de músicas cheias de melodia e sentimentos. Alguma inspiração em especial para a construção dessas criações?

A coisa com o grave pesado é eu tentando fazer faixas que se encaixem no set de Dixon e Ben Klock. Meus sets são sobre os pesados ​​sub-techno grooves. Na verdade eu edito todas as faixas que toco para uma linha de base mais pesada. Eu preciso da minha identidade para ser sólido. Estou procurando aquele encontro entre a tensão e a beleza. É o que eu quero ouvir quando eu danço.

Você possui um segundo pseudônimo chamado Avadon, também voltado ao Techno. Qual é a distinção sonora entre essa nova figura e ao que estamos acostumados a ouvir de Yotam Avni? Quais são os próximos passos desse projeto?

Não lançarei muito Techno dark pesado tão cedo, pelo contrário, para ser sincero. Estou muito entediado com essa cena musical. Tudo se tornou Trance e eu nunca gostei de trance.

Estou muito mais interessado em coisas mais profundas. Eu gostaria de lançar uma compilação de cinco faixas e fazer mais colaborações com outros artistas.

Impossível não falarmos sobre este momento sem precedentes que estamos passando. O Coronavírus obrigou uma pausa total no mundo do entretenimento e reclusão de todos os artistas, o que provavelmente tem levado todos a um momento de muita reflexão. Como você está enfrentando este momento? O que espera do cenário da música no seu retorno?

A única coisa que posso lhe contar é que, mesmo sem shows, sem entrevistas no Brasil ou mesmo qualquer ganho monetário com música, eu ainda produzirei faixas. É minha paixão e o que eu amo fazer. Mesmo que o mundo acabe, mesmo que eu fique preso em uma ilha sem eletricidade e sem comida, que eu morra na praia segurando meu último suspiro, provavelmente estarei fazendo um beatbox com um bom groove.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que a música representa em sua vida?

É a minha esposa, significando que o casamento pode ser exigente, mas dá sentido à sua vida.

A música conecta.