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A música conecta

Raio X | Ruback

Por Marllon Eduardo Gauche em Raio X 01.10.2026

A história do RUBACK não começa no melodic techno e tampouco em 2023. Para entender o projeto hoje, é preciso voltar quase duas décadas e acompanhar uma formação musical atravessada pelo psytrance e por diferentes momentos da música eletrônica brasileira. Marcos e Lucas Ruback Schmidt começaram muito jovens. Ainda adolescentes, passaram pela discotecagem, estudaram produção musical e criaram o Wega, primeiro duo profissional dos irmãos. Vieram diversos lançamentos, passagens pelo Universo Paralello, XXXperience e uma aproximação cada vez maior com o circuito psicodélico que formaria boa parte do repertório dos dois.

Por volta de 2012, aquela experiência começou a ganhar outra forma. Os BPMs diminuíram, o progressive trance passou a ocupar mais espaço e o sobrenome dos irmãos virou nome artístico pela primeira vez: RUBACK. Fizeram então diversos lançamentos pela Blue Tunes e chegaram a dividir charts com artistas como Neelix, Astrix, Liquid Soul e Captain Hook. Alguns anos depois, Marcos e Lucas seguiriam outra direção com o Dubdogz, projeto que acabou assumindo o centro da carreira e alcançando projeção nacional até mesmo fora da bolha da música eletrônica.

Em 2023, os irmãos recuperaram o nome durante a Só Track Boa São Paulo, mas aquele RUBACK já não era exatamente o mesmo projeto deixado anos antes. O melodic techno passou a guiar a nova fase, enquanto elementos psicodélicos continuavam presentes na maneira como as faixas eram construídas. O retorno também veio acompanhado de uma nova estética visual e, ainda em 2023, da criação da ERRORR, dando ao projeto uma estrutura própria ainda em seu primeiro ano. Pouco depois, vieram apresentações no Afterlife Tulum, Rock in Rio, Lollapalooza, Tomorrowland Brasil e outros grandes eventos.

No dia 11 de outubro, RUBACK e Dubdogz se encontram de uma maneira inédita. A próxima edição da PARADE acontece no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e terá Marcos e Lucas fazendo um b2b entre os dois projetos. A apresentação conecta duas linguagens que os irmãos desenvolveram em momentos diferentes da carreira e abre uma boa oportunidade para olhar com mais atenção para aquela que recuperou algumas de suas referências mais antigas.

Este é o Raio X do Alataj.

O passado psicodélico permanece

O psytrance não reapareceu no RUBACK como uma referência recente. Marcos e Lucas começaram justamente nesse universo e passaram anos produzindo e tocando dentro do circuito antes de seguirem por outros caminhos. Isso continua aparecendo mesmo quando as faixas estão claramente inseridas no melodic techno. Os próprios irmãos já apontaram os timbres e texturas psicodélicas como uma característica recorrente das produções, inclusive em músicas nas quais essa influência não aparece de maneira tão evidente.

O nome que voltou à ativa

A retomada do RUBACK aconteceu depois que Marcos e Lucas já haviam alcançado uma posição consolidada com o Dubdogz. Isso permitiu que o projeto voltasse sem a pressão de precisar repetir a trajetória do outro alias ou buscar exatamente o mesmo público.

O sobrenome que já havia sido usado anos antes ganhou uma nova fase, agora com outras referências, outra identidade visual e uma direção musical mais conectada ao melodic techno, trazendo junto parte da bagagem acumulada desde os primeiros anos.

ERRORR

A ERRORR nasceu em 2023 junto da nova fase do RUBACK e passou a reunir diferentes frentes. Label, festas, showcases e experiências audiovisuais passaram a fazer parte da operação, com um catálogo que também abriu espaço para artistas como Glowal, Final Request, NILU, Bigfett, ZAC e outros produtores ligados a diferentes vertentes do melodic e do indie dance.

Ou seja, a ERRORR ampliou o alcance do RUBACK para além das próprias produções. Os irmãos passaram também a trabalhar com curadoria, eventos e lançamentos de outros artistas, criando uma frente própria dentro da cena que acompanha o crescimento do projeto.

Mais caminhos para criar

Manter Dubdogz e RUBACK ativos ao mesmo tempo também ampliou as possibilidades criativas de Marcos e Lucas. Uma faixa mais ligada ao tech house pode encontrar espaço no Dubdogz, enquanto ideias mais progressivas e psicodélicas podem ser desenvolvidas no RUBACK sem a necessidade de adaptá-las.

Com o tempo, essa divisão acabou dando aos irmãos mais liberdade para explorar caminhos diferentes dentro da própria carreira, mantendo dois projetos ativos que partem dos mesmos artistas, mas podem seguir direções diferentes.

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