Skip to content
A música conecta

Vini Pistori comenta os desafios da autenticidade em meio a evolução musical

Por Mia Lunis em Storytelling 05.04.2023

Vini Pistori traz em seu imprint musical sonoridades dos diversos lados do house, às vezes com um toque anos 80, mais indie, às vezes mais melódico; o produtor tem mantido sua constância de lançamentos dentro das esferas do House e tem ganho suporte de grandes artistas como Amê, Dixon, Adriatique, Frankey & Sandrino, Magdalena, Nico Morano, entre outros. Buscando por inovação dentro de seus lançamentos e explorando timbres mais sérios e sombrios ele conquistou selos relevantes como Monaberry, Moodmusic, Connected, Mumbai Records, Dantze, Internasjonal, Calypso, OMENI, Warung Recordings, Secret Fusion e muitos outros.

Voltando no tempo elucidamos autenticidade na cena de música eletrônica a partir de duas óticas: a primeira é que a música eletrônica é um elemento recorrente na construção de um discurso relativo à originalidade tanto na produção como na circulação musical dos gêneros da e-music. A segunda, em uma perspectiva mais ampla, a música como um todo tem valor essencial na constituição das relações de socialidade e lógicas de pertencimento, e busca acima de tudo incluir a todos, por mais que alguns estilos façam parte de bolhas X, Y ou Z. 

Mas a pergunta que não quer calar é: o que determina a autenticidade em um cenário vasto onde milhares seguem se inspirando em grandes artistas? E para além desta questão, como o produtor se vê repetindo ciclos e tentando acompanhar tendências enquanto precisa mostrar algo novo, ou autêntico para o público. Para Vini, as novidades no cenário eletrônico sempre prevalecem perante ao “mais do mesmo”.

“O segredo é não se inspirar em grandes artistas, porque se os contratantes ou DJs buscam contratar ou tocar uma música “similar”, vão procurar pelo artista que criou e não por quem se ‘inspirou/copiou’. Comentei em uma outra oportunidade que acredito que cada um tem sua identidade, assim como no documento de identificação, ninguém tem a mesma digital de outra pessoa. Então, basta se concentrar em si mesmo e desenvolver sua própria identidade. É claro que existem tendências, você pode se apropriar e encaixar dentro do seu estilo e sua personalidade, mas não copiar e seguir uma fila porque determinado artista está bombando e você fazendo a mesma coisa terá o mesmo resultado”. Ele acredita que um dos caminhos para obter relevância é se identificar com as diversas bolhas que existem e direcionar o trabalho para aquele tipo de público e artistas que você acredita que se encaixam com a sua identidade.

A ideia de autenticidade é caracterizada por significados variáveis que são determinados por práticas e contextos específicos da cena — por exemplo, quando vinculada ao processo de produção musical, a discussão do que seria “autêntico” incorre na reconfiguração dos conceitos de autoria e originalidade no trabalho de composição resultante da técnica do sampling, todos intimamente relacionados. O original associa-se uma aura, atingida quando esta passa a ser reproduzida tecnicamente. Assim, Pistori acredita que hoje existem infinitas possibilidades de instrumentos físicos e virtuais para se criar algo novo e autêntico, para quebrar barreiras e criar sons inimagináveis. “O original pode ser determinado por um timbre específico que o artista utiliza em suas músicas e o faz ser identificado por isso, por uma bateria específica, por um processamento específico de saturação, ou seja, é possível romper a barreira do ‘nada se cria e tudo se copia’”.

Ele ressalta também o poder de samplear que, na sua visão, é uma arte e que poucos artistas fazem isso com maestria. Um exemplo que veio em alta nas redes sociais recentemente foi como foi feito uma música do Daft Punk, uma do Gorillas através de samples, entre outras. Na minha opinião, o original nasce, se cria, sem o uso de nada já criado, a não ser os próprios timbres de um determinado sintetizador ou bateria eletrônica, que é possível identificar qual a origem daquele determinado som, mas em sua essência foi utilizado de forma única por determinado artista, ou seja, criando algo novo partindo de algo que já existe”.

Com uma trajetória de mais de 15 anos pela dance music, marcada de autenticidade e consistência, Vini se apresentou em clubes de Portugal, Alemanha, Itália, Espanha e Grécia, além de produções arrebatadoras que seguem presenteando o público com um vasto repertório e faro fino nas pesquisas. Vale a pena conferir a sonoridade de Vini Pistori. 

Vini Pistori está no Instagram 

A música conecta. 

A MÚSICA CONECTA 2012 2025