Não, sério, se tem algo tão importante quanto nossas belezas naturais e nosso caloroso povo, com certeza são as expressões artísticas que aqui realizamos desde sempre. Podemos falar de Aleijadinho, respeitado escultor brasileiro que viveu no Brasil colonial e é a figura máxima dentro do período Barroco/Rococó. Anita Malfatti, artista plástica que nasceu na virada do século 20 e que acabou se tornando uma das principais pintoras modernistas do nosso país. E, claro, não posso deixar de citar Oscar Niemeyer, um ápice na arquitetura mundial, onde sua obra é referência até os dias de hoje.
Mas sabe onde o Brasil se destaca ainda mais? Na música. É exatamente por isso que o Alataj se sente na obrigação de manter uma coluna como a Vitrola ativa. Julgamos de extrema importância entendermos e relembrarmos quais são nossas raízes, preservar toda uma história que foi e continua sendo construída, além de disseminar a cultura e vasta diversidade de ritmos e sonoridades que nossos artistas possuem.
O Rio de Janeiro na metade do século 20 era a incubadora musical de sua época, com seus botecos espalhados por todas as esquinas, assim como seus frequentadores que além de seus copos de cerveja, sempre portavam seus violões, cadernos e canetas, um cenário que podemos sintetizar dentro de uma vertente musical: Bossa Nova.

Como de se esperar, Edu Lobo se graduou nessa escola, iniciando sua carreira como músico na década de 1960. Trabalhou ao lado de Vinicius de Morais compondo Só Me Fez Bem, música que o fez entrar para a lista de artistas em destaque dentro da Bossa, mas sua posição contrária à ditadura recém-instalada o fez largar as letras que retratavam a dor do amor pelo engajamento e contestação, como em Reza, música feita em parceria com Ruy Guerra em 1965.
No início da década de 1970, Lobo carregava um estigma de anti-herói, já que de acordo com alguns, ele poderia ter se tornado um grande artista mas seu jeito rebelde – leia-se indignado contra a ditadura – acabou o colocando fora do sucesso.
Um reflexo disso é o álbum Missa Breve, gravado em 1972 e lançado através da Odeon. O trabalho conta com 10 faixas que retratam perfeitamente a essência de Edu, a Bossa Nova. Violões, bateria e metais de sonoridade delicada que foram incorporados do Jazz casam de forma perfeita com a entonação suave e melancólica que o artista tem. O álbum conta com participações de Milton Nascimento, Ruy Guerra, Paulo Cesar Pinheiro e José Carlos Capinam, que junto a Edu, escreveu a faixa de maior sucesso de Missa Breve, Viola Fora de Moda.
Outras faixas que também caíram no gosto do público e se permanecem assim são Vento Bravo, Kyrie e Oremus, que de certa forma fogem do conceito Bossa Nova que colocou Edu Lobo a vista de todos e demonstram que o álbum é uma obra que foi feita para ser apreciada sem saltos pelas músicas, de forma contínua.
A música conecta.