Alataj entrevista Kevin de Vries

Kevin parece ter seguido o roteiro perfeito pra quem quer escrever sua história no Techno. Primeiro, porque de cara já nasceu em um dos locais mais prósperos para tal: Berlim; segundo, porque está inserido na “nova guarda” de artistas que surgiram recentemente com essa leitura e técnica bem avançadas para idade, o que traz de maneira muito fluida, originalidade e novas visões às vertentes e suas ramificações.

O jovem artista parece ter feito justamente isso: misturou suas raízes no Trance com as influências do Techno em seu debut EP, A Journey Through Life, lançado em 2015 pela Complexed Records. De cara recebeu suporte gigantes da indústria como Adam Beyer e Richie Hawtin

Dessa primeira grande conquista em diante, tudo pareceu fluir com facilidade: lançou pela Drumcode, virou DJ da agência Blakksheep, percorreu grandes festivais e festas pelo mundo e recebeu um suporte importante de outro grande nome da música eletrônica, Sven Väth, que tocou sua track “Time Traveler” por uma temporada inteira, o que obviamente, trouxe ainda mais popularidade a Kevin.

Não demorou muito para que esse burburinho todo ao redor de seu nome chamasse a atenção do duo italiano Tale Of Us, já que suas linhas de som dão um match perfeito, e um talento jovem que se destaca em tão pouco tempo, merece reconhecimento. Em junho de 2018, Kevin lançou o single Mágoa na compilação da poderosa Afterlife, “Realm Of Consciousness Part III e entrou oficialmente para o time. Meses depois, emplacou Aratak EP, entregando duas ótimas faixas originais que podem ser ouvidas na pista até os dias de hoje.

+++ Case | Afterlife

Nesta quinta (12), ele toca pela primeira vez no Brasil em mais uma noite de Moving no D-EDGE ao lado dos DJs Gui Milani e Vicius — querendo ou não, um esquenta para o primeiro showcase da Afterlife que rola no país dois dias depois, na ARCA. Abaixo você confere o bate-papo que tivemos com ele:

Alataj: Olá, Kevin! Tudo bem? Obrigado por topar essa entrevista! Seu currículo impressiona bastante. Você já recebeu reconhecimento de gigantes como Adam Beyer, Richie Hawtin, Sven Väth, Joris Voorn e outros. Qual é o sentimento ao ver seu trabalho recebendo apoio destes artistas?

Kevin de Vries: Olá, pessoal. O prazer é meu! Esse sentimento está sempre presente, até hoje quando vejo grandes artistas tocando minhas faixas. Quando você vê pessoas ao redor do mundo dançando com as suas criações é muito motivador e eu fico muito feliz.

Kevin de Vries no Tomorrowland

Você é de Berlim, um dos berços do Techno e verdadeiro solo fértil para o gênero. Estar lá é muito bom para o desenvolvimento profissional, sem contar esse intercâmbio constante que deve rolar entre artistas. Cair no gênero desde muito jovem não me parece algo raro lá, como iniciou sua história com a música eletrônica?

Cresci ouvindo Hip-hop, principalmente alemão e americano. Após isso, descobri a música eletrônica. O álbum “Berlin Calling” de Paul Kalkbrenner foi o que realmente mudou minha cabeça. Desde aquele momento comecei a produzir meu próprio som. Procurei sobre DAWs por toda a internet e experimentei muitas coisas. Leva muitos anos para encontrar seu próprio som.

Além de beber da fonte, existem outras vertentes que você também pesquisa e busca trazer em seus sets? O que Kevin de Vries escuta quando está em casa? E quem são seus grandes mestres no gênero?

Nos meus sets você encontra um pouco de tudo. Do indie dance ao techno/trance. Principalmente nos long sets, gosto muito de ir pra lá e pra cá. Escuto outros gêneros quando viajo. Para relaxar nos vôos e esquecer do mundo, a maioria é eletrônica/ambient, mas também escuto Billie Eilish e Hip-hop alemão.

Você lançou um bom número de releases nos últimos três anos. Produzir significa se dedicar diariamente com disciplina ou você é daquele que experimenta ondas de criatividade e vai para o estúdio apenas quando a inspiração bate na porta?

Criatividade é algo que você não pode treinar, pelo menos no meu caso. Se forçar a fazer música geralmente não dá certo. Você pode se trancar no estúdio por dias, se a sua mente e criatividade não estiverem no lugar certo, não vai sair nada bom. Geralmente começo em casa um esboço com o teclado e vou terminar no estúdio. Isso é algo que cada artista faz de um jeito, eu acho.

Magoa foi seu primeiro espaço na Afterlife, que logo em seguida te permitiu lançar um EP dando vida a Aratak e Sciamachy, dois grandes produções que ecoaram pelo mundo. Você sentiu que depois deste release na label de Carmine e Matteo sua carreira deu um passo adiante? Como é sua relação com os headlabels atualmente?

Sim, com certeza. Conheço eles há alguns anos e já me ajudaram muito, não só nas produções, como também com outras coisas. Sou muito grato por tocar nos eventos ao redor do mundo, criamos uma ótima atmosfera e uma energia de família entre os artistas. É algo realmente especial.

Fazer sucesso significa desbravar o mundo e as diversas pistas e culturas por aí. Como você se prepara para um estreia? Existe um estudo ou você prefere seguir sua intuição e fluir de maneira orgânica? Você fica ansioso quando vai tocar fora?

Sempre fico nervoso antes de um set, não importa o club ou palco. Sempre confiro os locais/clubs antes de tocar para ver como é o interior, o público e sentir a sensação.

O Brasil possui um apreço muito grande pelo Techno, temos diversos coletivos esquentando a cena principalmente na última década, onde foi perceptível essa progressão. Você conhece artistas daqui ou teve algum contato já com nossa cultura? Há algo que você possa compartilhar com a gente?

Claro, meu grande amigo Victor Ruiz. Nos conhecemos há anos e queremos ir ao estúdio juntos, infelizmente ainda não aconteceu, espero que em breve!
Além dele, Alex Stein e Anna. Produtores incríveis, mas o mais importante: pessoas incríveis.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. O que é música para você?

Música é emoção. Música é vida.

A música conecta.


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