Alataj Web Conference

AWC Preview | O futuro do Futuro

Ao longo de quatro textos que antecedem o Alataj Web Conference 2021 propusemos um exercício provocativo: ao apertar a tecla ffw do controle do tempo viajamos alguns meses, anos, talvez décadas.

Qual o futuro dos estilos musicais? 

E o futuro dos clubs? 

O que o futuro reserva para os clubbers? 

E para os negócios? 

Conjecturar sobre o futuro é uma prática tão sedutora quanto arriscada, e a missão que de início parecia fácil logo se mostrou de fascinante complexidade. Porque mais do que um olhar sobre o amanhã abstrato, olhamos na verdade para o que vem depois daquilo que tantos sonharam. Não apenas sonharam, mas realizaram, tantas vezes às custas de batalhas de lutas ainda em curso no presente. Nos vemos tão invencíveis quanto vulneráveis. Afinal, qual o amanhã quando o futuro já chegou?

Devaneios sobre hipóteses, projeções e planos são construções sobre uma intrincada fundação feita de presente e passado. Logo, qualquer observação do que está sendo ou será construído passa por uma observação minuciosa desta base. Não à toa, o leitor encontra tantas ou mais referências ao ontem nas quatro peças que paradoxalmente falam sobre o amanhã – e como tantas vezes se constatou, episódios do passado muitas vezes coexistem com as sementes do futuro.

Isaac Newton disse que “se eu vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes“. A constatação ecoava conclusões muito antigas e ainda ressoa com inúmeras releituras. Mas é de certa forma intrigante que não seja tão recorrente ou popular nos dias atuais. Conhecer e reconhecer os caminhos (muitas vezes ainda com rastros frescos de suor e sangue) daqueles que nos trouxeram até aqui, até o hoje, parece menos importante do que gozar ou fotografar. Do que postar ou cancelar. Tempo e história não são lineares; suas narrativas sim. Logo o ontem, o hoje e o amanhã estão muito mais entrelaçados do que separados na aparente linha reta através da qual medimos temporalidade e contamos as histórias. 

O desejo de se fazer música a partir de máquinas permeou a trajetória da criação musical a tal ponto que para muitos hoje é mais fácil fazer uma música com as máquinas do que com os instrumentos musicais. O desejo de ser livre, de  conquistar espaços e poder compartilhá-los com segurança e igualdade ainda permanece urgente. 

As vanguardas tecnológica e comportamental se esbarraram nas pistas e desse encontro uma química incendiária conduziu a cultura clubber ao longo das últimas décadas. Compreender o sincronismo das dimensões humana e tecnológica pode ser um guia seguro para as próximas, tanto quanto olhar detida e curiosamente pros gigantes que nos trouxeram até aqui. A festa não pode – e não vai – parar.

A música conecta.